21 – Providência Divina
(Conto Real)
Você já se entregou
inteiramente a Deus?
Ela existe. Os versículos usados neste testemunho de
Fé, se não foram descritos exatamente os mesmos, eles refletem na sua essência,
o sentimento e o pensamento dela naquela ocasião. Foi assim que ela se tornou
protagonista deste conto.
Ela se encontrava lavando o seu
corpo, passando sabonete, quando percebeu aquele caroço no peito... “O seu
coração podia consumir, mas Deus era a rocha do seu coração e a sua porção para
sempre.” (Cf. Sm 73,26) Ela pensou na
hora: ou a retirada do caroço ou a amputação do peito vai acontecer. Refletiu na
perfeição de Deus sobre a criação da mulher. Os seios são belos, tornam a
mocinha feminina e sensual. É a identidade da
mulher. Que
providência Divina! É a grandeza de Deus: eles se apresentarem depois. Os
seios, antes peitos, ficam prontos para a amamentação da mãe/mulher. Seus
filhos. Que momento sublime!!! Vem em mente algumas passagens no livro dos
Cânticos com versículos de amor e beleza da criação Deus, entre eles: “...é
pequenina e ainda não tem seios; ...” (Ct 8,8).
Há muito tempo sua vida está sendo
permeada nos caminhos indicados pela Bíblia. Não está ainda perfeita.
Buscou e ainda busca essa perfeição, na medida do possível,
porque quer atender ao pedido de Jesus: “...deveis ser perfeito,
como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).
O trabalho é contínuo para entender e seguir a Bíblia. Leitora da Bíblia, ela
terminara o banho com estes pensamentos indo e voltando, sem uma sequência
definida: “Se tua mão ou teu pé escandalizam, corta-os e atira-os fora para
longe de ti” (Cf Mt 5,30);
“por tudo dai graças” (1Ts 5,18); “alegre-se
na esperança, seja paciente na tribulação e persevera na oração” (Rm 12,12).
Foi
na Igreja no mesmo dia e falou com um Frei, eles não se conheciam e ele
profetizou: “Lembre-se que você sempre foi forte”.
Na vida cotidiana ela questiona estas
dualidades: falar e calar; omissão e silêncio (conivência?); crítica e verdade
(fofoca?); teimosia e persistência; acomodação e resignação; tolerância e
permissividade. No momento, mais ainda. Pensou: E agora? Que faço? Será que chegou a sua hora?
Lembrou-se de sua amiga que era médica. Ela ia lhe
ajudar. “Quem descobre um amigo, descobre um tesouro; um amigo fiel não tem
preço, é imponderável o seu valor; Amigo fiel é bálsamo vital” (Eclo 6,14-16). E sua amiga Cardiologista foi o
tesouro e o bálsamo naquela tribulação em especial como tem sido em todas as
horas de sua vida.
“Glória a Deus nos altos dos céus e paz na terra aos homens que ele ama,
cantaram os anjos no nascimento de Jesus.” (Cf Lc 2,14) Era tempo de comemorar aquela data. “Há um
momento para tudo e para todo propósito debaixo do céu” (Ecle 3,1), entre eles, o “tempo de calar e o tempo de
falar” (Ecle 3,7). E elas calaram e
vivenciaram as festividades natalinas, inclusive, “a Ceia do Senhor” (1Cor
11,20), afinal Ele era o aniversariante e estavam “no tempo de abraçar” (Ecle 3,5), ocultando “o tempo de chorar” (Ecle 3,3,4). Aguardaram, então, o tempo devido para
que todos os familiares soubessem.
“A fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que
não se veem.” (Hb 11,1). Mas, ela viu,
dessa vez, a fé em forma de rosa na Missa. O padre profetizou a cura e ofereceu
uma rosa a uma pessoa que estava com câncer, dois tumores no seio. Ninguém
sabia que eram dois (2), exceto quem viu os exames.
Eram tão juntos que não fazia diferença para ela. Ela ouviu, aguardou e ninguém
apareceu. Então, o Padre disse está aqui nos pés de Cristo. Ela foi até ele e a
recebeu. A confirmação da cura aconteceu antes, ela ia ser operada, se tratar e
esperar em Deus. “E sem esmorecer continuou afirmando sua esperança, porque é
fiel quem fez a promessa.” (Hb 10,23)
“Não são os sãos que precisam de médico, mas os
doentes.” (Mc 2,17) Ela precisava de um oncologista, desejava que o
cirurgião fosse do Hospital do Câncer e pensava em Deus assim: “a angústia
cresce em meu coração, tira-me de minhas aflições” (Sm
25,17). “Deus que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos
amou” (Ef 2,4) deu-lhe o médico que ansiava
com uma equipe generosa e competente, por todo seu tratamento e cirurgias, e embora
não fosse pelo Hospital do Câncer, muitos trabalhavam lá. Ela tinha Plano de
Saúde e conseguiram se acertar.
“O Senhor é piedade
e compaixão... e cheio de amor” (Sl
103,8); ela voltava-se para ele e encontrava misericórdia diante das burocracias e dificuldades encontradas, tais como: a
colocar um cateter, receber autorizações diversas, conseguir consultas em tempo
de férias, encontrar um cirurgião plástico pelo Plano, fazer exames em
máquinas apropriadas, receber tratamento pós-operatório, curativos, busca de
veia etc...
A solução vinha pelos diversos Anjos de Deus, os celestes e os humanos de bom coração que tinha empatia com a ocorrência.
Tudo acontecia no tempo de Deus, e logo percebia que a espera tinha as suas
vantagens. Ela não se desesperava e dizia para si: Deus vai mostrar algo
melhor. E, sempre foi beneficiada.
Não faltaram: apoio, recomendações, notícias de Internet, orações, uma
específica criada para ela (com suas palavras de desabafo), aconselhamentos
médicos, sacerdotal e principalmente Jesus Cristo na Eucaristia em casa. As
inconveniências também apareceram e ela muito recorreu a Oração que
lhe fora presenteada:
“Senhor,
que a sensibilidade que tanto aflora pelos meus olhos, reproduzida por
lágrimas, que teimam em cair, se transformem em coragem, amenizando meu medo!
Que o pensamento que tudo seja mentira me leve a aceitar a Sua verdade com
extrema sabedoria. Que a alternância do meu ser, ora se sentindo bem, ora se
sentindo mal, se transforme em segurança e seja esteio para minha esperança!
Que a esperança de cura infiltrada no meu corpo e na minha alma coincida com a
Sua vontade! Que a minha fé atrelada à esperança seja um bálsamo neste momento
difícil e acima de tudo, seja de agradecimento pela Sua presença na minha vida!
Que assim seja!’.
Fora essa, as Orações eram em inúmeras
jaculatórias pronunciadas por ela, e acompanhamento pela TV sempre que o corpo
físico permitia. Havia as orações dos parentes, amigos, Padres, pessoal da
Igreja, etc...
Conseguiu
acompanhantes até para dormir, receita médica, compra de remédios, comidas,
etc... Recebeu visitas e telefonemas. Mais de dois anos se passaram com grande
tribulação e com o coração angustiado pela quimioterapia, radioterapia,
remédios com efeitos colaterais, injeções na barriga, alergias e outras coisas...
Tudo exigia cuidado, apoio, aprendizagem, dedicação... A cirurgia com a
amputação do peito, colocação de expansor, depois a de simetrização
no seio são. Tempos depois a retirada do expansor e colocação da prótese.
Finalmente veio a retirada da prótese. Estava curada, mas sem realizar o sonho
do lado estético. Não foi, e possivelmente, não será mais realizado, porque
“muitos são os projetos do coração humano, mas é o desígnio de Deus de Deus que
permanece firme” (Pr 19,21) e sua alma sofrida entendeu isso. Neste
ínterim, Deus capacitou a filha dela para assumir a tarefa de modo forte, sendo
eficaz, corajosa e amorosa… Tudo acomodado por Deus.
Ela nunca deixou de sentir e pensar: “Bendito seja o
Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o
Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (1Cor 1,3); “sempre
se fortificava na graça que está em Cristo Jesus” (2Tim 2,1). “Em tudo
daí graça, pois esta é a vontade de Deus”, não extinguiu o Espírito Santo, não desprezou
as profecias” nem a Bíblia (1Ts 5,18-19).
“As igrejas eram confirmadas na fé.” (At 16,5).
Lá ela marcara sua presença assiduamente, antes do câncer. “Paulo e Barnabé,
quando chegaram a Jerusalém, foram acolhidos pela Igreja” (At 15,4).
E ela recebeu a misericórdia e a consolação de ser acolhida pela Capela do
Hospital, pouco depois de ser internada. Recebeu a “Unção dos Enfermos e a Eucaristia” (Tg 5,14-15; Mt 26,26-29)
repleta de alegria. “Jesus curava muitos enfermos ungindo-os com óleo.” (Mc
6,12). Assim, ela pode participar da Louvação a Cristo, pois aquela era a
Festa de Natal de Cristo para alguns internados celebrarem.
Ela estava ciente que “Deus consola em todas as nossas
tribulações, para que possamos consolar os que estão em qualquer tribulação mediante a consolação
que nós mesmos recebemos de Deus” (2Cor 1,4). E assim ela
tem feito como já fazia. Era motivo de alegria por onde passava e não
foi diferente em todas as internações.
Quantas vezes ela dissera no tratamento nos momentos
difíceis: “Por ti, Senhor Jo 13,37; pois, como os sofrimentos de
Cristo são copiosos para nós, assim também por Cristo é copiosa a nossa
consolação. Se somos atribulados, é para vossa e salvação que o somos. Se somos
consolados, é para vossa consolação, que vos faz suportar os mesmos sofrimentos
que também nós padecemos”. (2Cor 1,5-6)
Não sente
alegria pelo seu estado, “apesar de em tudo dar graça” (Cf 1Ts 5,18),
mas feliz porque era com ela. Feliz por estar mais perto de Deus e ter mais
oportunidades de vivenciar, ver e sentir as Suas Bênçãos, mais do que já tinha
recebido. Feliz por ter a oportunidade de testemunhar todas as graças.
Os agradecimentos foram e são primeiramente a Deus que esteve no
comando, e lhe proporcionou a cura. Mas deixa a gratidão a Equipe de
profissionais de saúde estendidos a todas as áreas do hospital onde não faltou
profissionalismo e carinho durante tanto tempo de internação. E também a todos
que colaboraram, a família, os parentes, amigos, médicos, padres...
A dedicação,
o apoio, o carinho e o amor que lhe foram dispensados é impressionante, tão
gratificante que reconhece que vêm de Deus, tamanha sinceridade, fidelidade e
verdade, ciente de diversas palavras ditas por Jesus.
As suas limitações são inúmeras, tais como: alimentação,
saídas... É difícil. Mas ela disse: “Só em Deus sou capaz de viver o que estou
passando com tanta fé e com esta entrega total a cada acontecimento que
aparece. O momento é de pesar, sofrimento e medo, mas também de muita esperança
certeza do amor do Pai”.
Ela vive em Cristo e por Cristo, na Sua paz, lutando contra as suas
próprias imperfeições e grata por estas experiências. Amém!
“A tudo daí graça” (1Ts 5,18), “por ti Senhor” (
Jo 13,37).
(Em 12/12/2021)
22
– O Desfraldado
(Pai Nosso / Sacramentos)
O
Pai Nosso é uma Oração Universal?
Ele era um
moço não Cristão. Recebera os Sacramentos do “Batismo” (Lc 3,21-22),
Primeira “Comunhão” (Mt 26,26-29) junto com a “Penitência” (Mt 18,15) e “Confirmação” (At 14,15)
quando estava adulto, preste a receber o Sacramento do “Matrimônio” (Mt 19,1-9), para
prestar contas à sociedade. Todos eles foram realizados com grandes banquetes
“para serem visto pelos homens, como faziam os fariseus e escribas; pura
vaidade e hipocrisia” (Cf. Mt 23,5).
“Jesus curava
muitos ungindo com óleo” (Mc 6,13); foi assim que Ele instituiu a “Unção dos Enfermos” que esse moço nunca
precisara. Sendo moço civil, não constituiu a “Ordem” para “edificar a Igreja como Pedro (Cf. Mt 16,18) e dar a Eucaristia em memória de Jesus,
conforme Ele pedira” (Cf. Lc 22,19).
E permaneceu
assim até quando seu sócio agiu igualmente a “Zaqueu o desfraldando; Esse pelo
menos restituíra o quádruplo” (Cf. Lc 19,1-10).
Seu sócio nada fizera. Fora Deus quem lhe restituíra tudo e ainda “lhe
acrescentara mais, depois que ele buscara o Reino” (Cf. Mt 6,33), mas teve que “esperar que Deus lhe fizesse
justiça depois que clamara dia e noite” (Lc 18,7-8).
“Foi em Antioquia
que os discípulos, pela primeira vez, receberam o nome de cristãos” (At
11,26). Ele vivenciara cinco Sacramentos, mas era a primeira vez que se sentia Cristão e seu primeiro ato foi a Oração.
Ele sempre
soube que “O homem nada pode receber a não ser que venha do céu” (Jo 3,27) e que “sempre haveria necessidade de orar sem
jamais esmorecer” (Cf. Lc 18,1). Na vida,
de um modo geral, entre saber e fazer, a distância era grande, mas esse ditado
foi dizimado naquele infortúnio. “Tinha que orar ao Pai em segredo, pois tudo
que pedisse com fé, em oração receberia.” (Cf. Mt
6,5-6)
E assim orava:
“Pai Nosso” (Mt 6,9) – Senhor
nosso Deus, o “único Pai (Is 43,8-13); Senhor que fez o
céu e a terra (Sl 146,6); nós que somos
maus, sabemos dar boas dádivas aos nossos filhos, quanto mais tu, ó Pai, o Pai
que está no céu, o Perfeito” (Cf. Mt 5,48);
Tua Paternidade foi tão divulgada por Jesus. Eu ouvi, mas não abri o coração
para recebê-lO.
“Que estás no céu” Mt 6,9 – Conforme Jesus confirmou quando disse:
“não é da vontade do Pai está nos Céus, que um destes pequeninos se perca” (Cf.
Mt 18,14), portanto Senhor Deus, me ajude
para que eu consiga ser uma pessoa do bem e mereça ser um desses pequeninos a
ser salvo, onde estais.
“Santificado seja o teu nome” (Mt 6,9) – da mesma forma que “tu és Santo” (Cf. Lv
11,44-45).
“Venha o teu Reino” (Mt 6,10) – “O Reino de Deus está no meio de nós” (Lc 17,21) e que minhas ações façam jus a Ele para
encontrá-lO.
“Seja feita a tua vontade, na terra como no céu” (Mt 6,10) – “Como disse Jesus no Horto das Oliveiras: Tudo é
possível para ti; afasta de mim este cálice, porém não o que eu quero, mas o
que tu queres” (Mc 14,36). Desculpe-me, mas é tão difícil dizer
isso! Estou tentando...
“O pão
nosso de cada dia nos daí hoje” (Mt
6,11) – Que não falte o pão material nesta hora de penúria e angústia e
também conserva em mim “o Pão da Vida” (Cf. Jo
6,35); o “Pão que Jesus deu na Eucaristia” (Jo
6,14.54). Que eu queira “o alimento que Jesus queria: era fazer a tua
vontade! E era desconhecido aos discípulos” (Cf. Jo
4,31-34).
“E perdoa as nossas dívidas” (Mt 6,12) – como Jesus perdoou pela
fé, os cegos (Cf. Mt 9,27-31), os pecadores
(Cf. Jo 8,12), os paralíticos” (Cf. Lc 5,17-26) e tantos outros. “Na Cruz, Jesus pediu
que o Pai perdoasses seus algozes que não sabiam o que faziam” (Cf. Lc 23,34). Faze o mesmo com o meu sócio e com outros
adversários que desconheço.
“Assim como nós perdoamos os nossos
devedores” (Mt 6,12) – Não “assumi
logo uma atitude conciliadora com o meu adversário, enquanto estava com ele no
caminho” (Mt 5,25). Confesso que o desejo
de vingança foi imenso, mas já passou. Passei a “Jesus e aos anjos o julgamento”
(Mt 25,31) e já apaguei todo ressentimento.
“E não nos submeta à tentação” (Mt 6,13) – Faze-me, eu mesmo “cuidar de mim, para que meu coração não fique pesado pela embriaguez,
pelas preocupações da vida” (Cf. Lc 21,34).
“Mas livra-nos do Maligno” (Mt 6,13) – pois, esse é nosso coração
impuro de onde saem as intenções malignas: prostituição, roubos, assassínio,
adultérios, ambições desmedidas, maldades, malícia, devassidão, inveja,
difamação, arrogância, insensatez” (Cf. Mc 7 21)...
Amém!
Ele “orava em
todo momento para escapar de tudo que estava acontecendo” (Cf. Lc 21,36). Ele “perseverava na oração, vigilante, com
ação de graça” (Cl 4,2). A cada novo contrato, a cada dívida paga
era motivo de ele e dos empregados pararem tudo, orarem e darem Graças.
“A
multiplicação dos pães” (Mt 14,13),
material e espiritual, ocorria na sua casa e no seu trabalho de forma tão
intensa que passado algum tempo já começara dividir com os outros mais
desafortunados, ciente de que “sempre haveria pobre para eles fazerem o bem” (Cf.
Mc 14,7)...
Antes ele
sempre “semeara a Palavra à beira do caminho e logo satanás vinha e arrebatava”
(Cf. Mt 13,19). Agora “ele semeava em
terra boa. Escutava, acolhia, dava fruto, trinta, sessenta, cem” (Cf. Mt 13,23).
O Poder da
Oração lhe fora tão glorioso que ele manteve em toda sua vida para pedir e para
agradecer.
“Peça e lhe será dado.” (Mt
7,7)
(Em 11/10/2021)
23 – Os Gêmeos
Por que nossas
ações nos aproximam ou nos afastam de Deus?
Eles eram
gêmeos e tinham um irmão mais velho e pais. A Palavra de Cristo só habitava no
irmão mais velho.
Na Bíblia eram
irmãos, sem serem gêmeos, os discípulos de Jesus que praticaram o bem juntos: “André e Pedro” (Mt
4,18); “Tiago e João” (Mt 4,21), entre
outros. Na leitura, foi encontrado os casos de gêmeos como os filhos de Rebeca com
o Patriarca Isaac: Jacó e Esaú (Gn 25,19-28);
e de Tamar com o sogro Judá, filho de Jacó, que foi enganado por ela: Farés – Zara (Gn 38,1-28).
A desavença
também sempre existiu na família: “Caim matou Abel (Gn
4,8); ora, as crianças lutavam dentro do seio de Rebeca” (Gn 25,25). “Jesus confirmou as divergências quando
disse: Doravante, numa casa com cinco pessoas, estarão divididas três contra
duas e duas contra dois” (Lc 12,52); “Uns
criam n’Ele e outros não” (Cf. Jo 6,64).
Como “Raquel e
Jacó, entre esses gêmeos, a mãe tinha preferência num filho e o pai privilegiava
o outro” (Cf. Gn 25,28).
“Jesus disse:
nós somos um (Ele e o Pai).” (Jo 10,30) Os
gêmeos eram dois, mas suas ações eram únicas. “Eva seduziu Adão.” (Cf. Gn 3,6) Eles se seduziam de forma tão intensa que
nunca se sabia a origem das ações.
Não “eram
crianças sentadas nas praças a se desafiarem mutuamente” (Lc 7,32). Eles se uniam com fervor e desafiavam os
outros. Eles nunca se contrapuseram como “Caim e Abel, e Jacó e Esaú, que um
matou o outro por que Deus agradou-se mais de uma oferenda (Gn 4,6) e um usurpou a bênção do outro por um prato
de comida” (Gn 26,31-34),
respectivamente.
“Segundo
Simeão, Jesus seria um sinal de contradição.” (Lc
2,34) E foi: “violara o sábado muitas vezes para
fazer curas (Cf. Jo
5,18) e justificara as espigas arrancadas pelos discípulos por causa da
fome...” (Mt 12,1-8).
Aqueles gêmeos tinham uma
postura contrária à educação recebida. “Dos seus corações procediam as más intenções”
(Cf. Mt 15,19), mesmo sendo levados ao
sacerdote para que ele “orasse, abençoasse e lhes impusesse as mãos como Jesus
fazia nas criancinhas” (Mc 10,16).
Eles “ouviam a
Palavra e a recebiam com alegria, mas não tinham raízes em si mesmo, e quando
surgia uma tribulação ou uma perseguição sobre a Palavra, logo sucumbiam como
se tivessem jogado as sementes entre pedregulhos” (Mt
13,20-21).
Não se sabe se
aqueles gêmeos eram maus porque “havia dureza em seus corações e por isso não
ouviam a Deus (Cf. Ex 7,13), ou porque “a
carne era fraca como afirmara Jesus” (Cf. Mt
26,41), ou os dois. Sabe-se “que nada há de oculto que não venha a ser
manifesto” (Mc 4,22).
Essas
afirmativas intrigavam e entristeciam o irmão mais velho. Ele sempre tomava
conhecimento dos males feitos pelos irmãos mais novos, pois “nada há de encoberto
que não venha a ser descoberto, que não venha a ser revelado” (Mt 10,27). E, esperava que eles “se
arrependessem e cressem no Evangelho” (Cf. Mc 1,15) quando lhes
viessem à luz do dia. “Tudo é possível naquele que crê.” (Mc 9,23)
Que “se cumprisse no tempo oportuno!” (Cf. Lc
1,20)
Por isso, a “correção
fraterna” (Mt 18,15-17) sempre existiu por
parte do irmão mais velho; Quando era bem sucedida,
ele ganhava logo dois irmãos e não um, como está na Bíblia (Mt 18,15), por corrigir ambos. O mais velho nunca recorria
aos pais como “testemunhas” (Mt 18,16),
dadas as preferências dos pais por um gêmeo que cada um tinha.
Tantas vezes o
irmão levara os gêmeos ao sacerdote (Mt 18,17),
que após tantas idas e confissões eles começaram a “produzir frutos dignos de
arrependimento (Mt 3,8) procurando o que
favorece a paz e a mútua edificação (Rm 14,19);
tendo a mesma estima uns com os outros, sem pretensões de grandeza, mas
sentindo-se solidários com os humildes... procurando se possível viver em paz
com todos” (Cf. Rm 12,16 e 18).
“O
Senhor não tarda a cumprir sua promessa...” (2Pd 3,9)
(Em
11/10/2021)
24 – Luz para os Servos
(Ser Luz)
Você colhe o que semeia?
Ele era muito rico e possuía uma fazenda com muitos hectares.
Lembrava sempre do que disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me
segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo
8,12). Buscava seguir Jesus para ser essa luz, “tirando das trevas” (Cf.
Mt 4,16), aqueles que lhe serviam, tentava agir
assim: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo
9,5). E era luz, porque Jesus disse: “Vós sóis a luz do mundo” (Mt 5,14); assim também “brilhe a vossa luz diante das
pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos
céus” (Cf. Mt 5,16). “Ninguém acende uma
lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo do alqueire, sim sobre o
candelabro, a fim de que os que entram vejam a luz. A lâmpada do corpo é teu
olho. Se teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado...” (Lc 11,33-34). Quer o olho fosse são!
Ele e sua família fariam como fez “Maria, mãe de Jesus, que tinha uma
parenta idosa, grávida e pôs-se a caminho para uma região montanhosa para
visitá-la e passaria três meses lá.” (Lc
1,39.56). Precisavam ajudar uma tia e amiga.
E “antes de viajar entregou os seus bens, a cada um dos servos, de
acordo com sua capacidade.” (Mt 25,15). Quando
voltou, encontrou toda plantação duplamente produzida e o dinheiro de tudo que
tinham vendido. “Então pagou a eles muito mais que o dobro que cada um lhes
dera; Quase todos foram chamados de ‘bons servos’, pois tinham sido fiéis no
pouco e o senhor lhes confiaria o muito” (Cf. Mt
25,21.23). Ele fora luz para estes servos que não esperavam esse
pagamento. Eles “eram simples servos, fizeram apenas o que deviam fazer.” (Lc 17,10).
Apenas um empregado foi “mau e preguiçoso e mostrou a parte da terra que
lhe coubera da mesma forma que recebera: nua e crua; O servo não pôde colher
porque não semeou; Sabia que o seu senhor era severo
por isso, não quis mexer na terra e disse isso ao seu senhor; Foi julgado pela própria
boca, segundo o seu senhor” (Cf. Mt 25,14-30). Esse foi demitido. O senhor também foi luz
para este servo, que aprendeu “a cultivar o solo, comendo seu pão com o suor do
seu rosto” (Cf. Gn 3,19) em outras
paisagens.
“O administrador da fazenda foi denunciado por dissipar seus bens. O
administrador refletiu: Que farei, uma vez que meu Senhor me retire a administração?
Cavar? Não tenho forças. Mendigar? Tenho vergonha; E assim ele arrumou um jeito
de restituir tudo, trabalhando sem pegar seu salário; E o senhor louvou o
administrador desonesto por ter agido com prudência” (Cf. Lc 16,1-8) se tornando mais uma vez luz por meio do
perdão.
Em outra feita, um servo procurou esse senhor porque lhe devia e “Não
tendo como pagar, caiu aos pés, e prostrado, suplicava-lhe: Dá-me um prazo e eu
te pagarei tudo; O senhor se compadeceu e perdoou-lhe a dívida; O perdão foi
uma luz dada pelo agricultor; Mas quando saiu dali esse
servo encontrou um dos seus companheiros de servidão e exigiu que lhe pagasse o
que devia sem nenhuma complacência” (Cf. Mt
18,23-28).
“Os outros servos penalizados contaram ao senhor; O Senhor o chamou e o
demitiu. Não existia mais ‘verdugo’ para entregá-lo” (Cf. Mt 18,28-34). Era outra cultura. Foi entregue à
justiça para que pagasse a dívida. O agricultor foi luz, porque aquele mal
servo aprendeu que deveria “perdoar o irmão com o
coração conforme o Pai Celeste age” (Cf. Mt 18,35).
O agricultor percorria sua fazenda, e como “Jesus, viu a multidão
cansada e abatida percebeu que a colheita era grande, mas eram poucos os
operários” (Cf. Mt 9,36-38). E foi luz
quando se compadeceu dos seus servos e “saiu duas vezes para contratar homens
para ajudar na colheita e na última vez chamou os desocupados na praça. No fim
do dia foi contestado porque pagara o valor da mesma diária para todos. Foi luz
também, depois que explicou e todos entenderam que o agricultor pagou
justamente o que combinara com cada um” (Cf. Mt
20,1-16).
Intuitivamente nesta fazenda seguiam Deus e o que precisavam era de
arrependimento: E “se o meu povo, sobre quem foi invocado o meu nome,
se humilhar, orar, buscar a minha presença e se arrepender de sua má conduta
eu, do céu, escutarei, perdoarei seus pecados, e restaurarei seu país” (2Cr
7,14). Doravante “os olhos de Deus estavam abertos e os seus ouvidos
atentos a qualquer oração feita naquele lugar” (Cf. 2Cr 7,14-15),
como estivera nas terras de Salomão.
“Quando o senhor vinha buscar
frutos em alguma árvore e não encontrava ele mandava cortá-la por ser
infrutífera; O servo dedicado, como no caso da figueira dizia: Senhor, deixe-a
ainda este ano, para que cave ao redor e coloque adubo. Depois, talvez, dê
frutos; Caso contrário, tu a arrancas.” (Cf. Lc
13,6-9). Eram duas luzes que se juntavam: a dedicação do servo e a
humildade do senhor ao ouvir um empregado. “Assim vos digo que há alegria
diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende” (Cf. Lc 15,10). Analogamente, o servo (Deus) queria salvar
a figueira que são os seres humanos com suas iniquidades.
Este senhor agricultor era luz para seus empregados também porque fazia
muitas “festas para eles que nunca podiam lhe retribuir” (Cf. Lc 14,13) Eles eram menos afortunados e assim ele criava
um clima mais socializado. Eram eles que conviviam com ele diariamente. Eram
“eles que trabalhavam a terra ou guardavam seus animais e quando eles voltavam
do campo” (Lc 17,7) seu senhor almoçava
com eles. Naquela socialização era luz
para cada conviva que se enchia de alegria.
“Os servos eram felizes porque seu senhor os encontrava sempre ocupados
e vigilantes. Eles conheciam a vontade do seu senhor e se preparavam para agir
conforme sua vontade” (Cf. Lc 12,37-48). E eles eram luz para o seu senhor, porque esse
nunca se preocupava com sua chegada.
Eles sabiam que “o servo não estava acima do seu senhor” (Mt 10,24). E o senhor sabia que “quem quisesse ser
grande deveria ser servo” (Cf. Mt 20,26).
Tinha bons empregados porque os semeava sempre com a luz de Deus e com
aqueles exemplos, os servos aprenderam semear luz entre eles e para o seu
senhor.
“A palavra de Deus é lâmpada para os pés e luz para o
caminho” (Sl 119,105)
(Em 11/10/2021)
25
– O Hipócrita Malvado
A
maldade já bateu à sua porta?
Ele era filho
único. “Como os falsos profetas
ele vinha disfarçado de ovelha, mas por dentro era lobo feroz.” (Cf. Mt 7,15).
Diante daquele
homem, as pessoas “eram ovelhas entre lobos” (Mt
10,15) como foram os discípulos de Jesus naquele tempo.
Para aquele
homem mau, “quando as ovelhas (pessoas) estavam sem um pastor (sem proteção) o
lobo (ele) se aproximava e a dispersava” (Cf. Jo
10,12) com sua maldade. Às vezes encontrava “um pastor que dava a vida
pelas ovelhas” (Jo 10,15), então se
afastava e continuava se aprofundando na criminalidade lesando ou machucando
mais de uma pessoa física e espiritualmente.
“Ele era um
homem depravado e malvado que empregava palavras enganosas” (Pr 6,12);
“Tinha sido um jogo insensato entregar-se ao crime” (Pr 10,23); “Sem
juízo, desprezava o próximo” (Pr 11,12); “tramando danos contra ele”
(Pr 13,24). Ele não entendia que bastava “ser prudente como as
serpentes sem a malícia como as pombas” (Mt
10,16).
“As raposas
têm tocas e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar
a cabeça” (Mt 8,20) dizia Jesus quando proclamava
o Evangelho e a Paternidade do Pai. Aquele homem, embora tivesse casa e mãe,
não tinha onde “reclinar a cabeça”, porque preferia a iniquidade e o caminho
das trevas.
Para a mãe,
ele “era uma ovelha perdida (Cf. Lc 15,1),
sem pastor” (Mt 9,36). Ela “queria ajuntar
o filho como a galinha recolhe seus pintinhos, debaixo de suas asas, mas como
Jerusalém, ele não quis” (Cf. Mt 23,37).
Ela era viúva e o criara sozinha.
Na terra este
homem deverá ter um julgamento justo, depois de ser ouvido, conforme Nicodemos
defendeu Jesus questionando: “Acaso nossa Lei condena alguém sem primeiro
ouvi-lo e saber o que fez?” (Jo 7,51)
“No céu, deverá
aguardar Jesus e os anjos; Ele (Jesus) separará uns homens dos outros como o
pastor separa as ovelhas do bode, e põe as ovelhas à sua direita e os bodes à
sua esquerda.” (Cf. Mt 25,31-34).
“Jesus
conhecia a todos” (Jo 2,24) e talvez o
chamasse de serpente, “de víbora, porque ele dizia coisas boas, sendo mau; o homem mau, do seu mau tesouro, tira coisas más, pois
ele parecia justo ao povo, mas dentro estava cheio de hipocrisia e maldade” (Cf.
Mt 12,34-37). Pelas palavras se é justificado
ou condenado.
Na verdade,
para Jesus, seria “uma ovelha perdida, das cem do rebanho, que se fosse
encontrada causaria muito alegria na terra, do mesmo modo que um só pecador que
se arrepende, do que noventa e nove justos que não precisam de arrependimento,
causa alegria no céu” (Cf. Lc 15,4-7). Jesus
ainda o queria.
“Esse homem
cairá na sua própria maldade.” (Cf. Pr 14,32). E com um “coração
perverso não encontra felicidade.” (Pr 17,20).
“Não compete a
ninguém conhecer os tempos e os momentos” (At 1,7) do destino deste
homem. “Sejamos unânimes em perseverar na oração” (Cf. At 1,14).
“Com
amor e fidelidade expia-se a culpa.” (Pr
16,6)
(Em
12/10/2021)
26 – Ela, talvez uma Maria...
Qual ação de uma das Maria se identifica com suas
ações?
Talvez ela
fosse uma Maria como tantas outras...
Não era “Maria
de Nazaré, mãe de Jesus, que recebeu o Anjo Gabriel, que lhe disse para não
temer, que recebeu o anúncio de que teria um filho do Altíssimo, que era
virgem, que concebeu o Filho pelo Espírito Santo, que confiou em Deus (Cf. Lc
1,26-38), que visitou a parenta Isabel (Lc
1,39-45), que casou com José (Mt 1,18-24)
, que fugiu para o Egito com o Filho (Mt 2,13-18),
criou o filho em Nazaré (Mt 2,19-23), que
ficou apreensiva quando perdeu o filho,
com 12 anos, numa viagem (Lc 2,41-50), que
intercedeu no Primeiro Milagre (Jo 2,1-12),
que acompanhou Jesus até à morte e
recebeu de Jesus o filho João (Jo 19,25); Ela é a única cheia de graça” (Lc 1,28). “Esta Maria ouviu as palavras do Anjo: Não
Temas!” (Lc 1,30) Quanto às tribulações da
vida superou confiante em Deus, mas no íntimo “conservava todos os
acontecimentos e o meditava em seu coração na ocasião da visita dos Magos (Lc 2,19) e, também conservara a lembrança de todos
esses fatos em seu coração depois que desceu com Jesus submisso, para Nazaré (Lc 2,51), pois O encontrara no Templo com os doutores”
(Lc 2,41-50).
Não era a “Maria
de Nazaré, já sem o Filho, no monte das Oliveiras que perseverara em oração com
os discípulos de Jesus; que presenciara a escolha de Matias para o lugar de
Judas e participara do Dia de Pentecostes” (At 1,14-26; 2,1-36). Quanta
caridade foi dada à humanidade quando Maria recebeu de Deus, Jesus, e ao devolvê-lO!
Não era a “Maria
Madalena (Mt 28,1), de Magdala,
de quem Jesus havia expulsado sete demônios (Mc 16,9), que se tornou
uma das companhias femininas de Jesus (Lc 8,2);
Essa estava presente aos pés da Cruz de Jesus (Mt
27,56) e no sepulcro (Mt 27,61); Foi
a primeira testemunha quando o Anjo lhe apareceu e lhe falou que Cristo
ressuscitara e que foi anunciar aos discípulos sobre Jesus.” (MT 28,1).
Esta Maria
Madalena foi confundida com “a mulher pega em adultério e que Jesus disse que
atirasse nela a primeira pedra quem não tivesse pecado” (Jo 8,1-11) e também com “a pecadora que ama” (Lc 7,36-50) e que secou os pés de Jesus com seus
cabelos (Cf Lc 7,38).
O Evangelista
Marcos a chama de Maria de Magdala os outros três
evangelistas (Mateus, Lucas e João) a tratam de Maria de Madalena.
Não era “a
Maria Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu ou Maria,
mulher de Clopas (Rodapé Pág. 1891); nem
foi a Maria, mãe de Tiago, o menor e de Joset (Mc
15,40). Elas acompanhavam o calvário de Jesus, olhando de longe (Mt 27, 55-56) e presenciaram nos pés da Cruz, Jesus
entregando Sua mãe Maria, a João” (Jo 19,25-27).
A cena foi um gesto de louvor, de zelo, cuidado, amor e confiança, mas o
cenário, embora necessário para a Ressurreição de Cristo, era muito
angustiante.
Nem era a “Maria,
mãe de João Marcos, que se reunia em oração quando Pedro chegou libertado pelo Senhor
da prisão” (At 12,120).
Poderia se assemelhar
com “Maria, irmã de Marta e Lázaro, todos de Betânia, que escolheu a boa parte,
que nunca lhe seria tirada: os ensinamentos de Cristo (Lc
10,38-42), só neste ponto. Essa Maria também tomou uma libra de um
perfume nardo puro, muito caro e ungiu os pés de Jesus e enxugou com seus
cabelos, sem saber que serviria para o sepultamento d’Ele” (Jo 12,1-11).
“Essa Maria,
irmã de Marta e Lázaro, que ungiu Jesus, se confunde com a passagem da Pecadora
perdoada e que ama – que beijara os pés de Jesus e O regara com suas lágrimas e
O secou com seus cabelos” (Lc 7,36). Essa
não é não é nenhuma Maria, ou melhor, não é identificada como Maria. Ela
representa cada mulher que quer estar com Jesus. Isto a protagonista também
quer.
Esta “Maria, de
Betânia, junto com Marta, chamara Jesus para curar o irmão; Confiou tanto em
Jesus que viu a ressurreição de Lázaro” (Jo 11,1-44).
A protagonista também confiava em Jesus, e muito.
Ela era uma
Maria qualquer... Ou talvez nem fosse uma Maria... Sabia que “Desde o princípio
Deus criou o homem e o abandonou às mãos de sua própria decisão” (Eclo 15,14). Então, seguia os mandamentos de Deus e
acolhera os Sacramentos instituídos por Jesus que lhes foram possíveis. Esperava
que os Dons do Espírito Santo lhe inspirassem sempre e ela pudesse senti-los
para segui-lO. E mais: sabia que “se violasse um só desses menores mandamentos
e ensinasse aos homens a fazerem o mesmo, seria chamada a menor no Reino dos
Céus” (Mt 5,19). Esta era uma das suas
decisões: seguir Jesus para ver Deus.
Era a Maria da
qual sabia que “mesmo que fizesse o bem deveria saber a quem o fazia para que
eles não ficassem perdidos (Eclo 12,1); e
dava segundo os seus recursos” (Eclo 14,13)
ciente que “cada um dá como dispõe seu coração sem pena nem constrangimento,
pois Deus ama a quem dá com alegria (2Cor 8,7); abençoava quem lhe
perseguia, alegrava-se com quem estava alegre, chorava com quem chorava, e
tinha a mesma estima por todos, sem fazer acepção” (Cf. Rm 12,14-18). Outra decisão era encher-se de caridade
com o próximo.
“A
caridade procede do coração puro, de boa consciência e de fé (Cf. 1Tm 1,5)
(Em
26/12/2021)
27 – Ela, a Semente Pequenina
Onde você gostaria de plantar suas sementes?
As premissas
de sua origem estão no terceiro dia quando Deus disse “que a terra verdeje de
verdura: ervas que deem sementes e árvores frutíferas que deem sobre a terra,
segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e assim se fez.” (Cf. Gn 1,11-13).
“Embora ela
seja a menor de todas as sementes, quando cresce é a maior das hortaliças e
torna-se árvore, a tal ponto, que as aves do céu se abrigam nos seus ramos.” (Mt 13,32). Ela é o grão da mostarda com propósitos
bem definidos: alimentar e abrigar.
Agora ela
estava no bico de um passarinho, voando num céu lindo, com nuvens se preparando
para um futuro não muito distante das chuvas. Aquele passarinho teve seus
primórdios quando “foi criado no quinto dia (Gn
1,23) e Deus disse que as aves voassem acima da terra sob o firmamento (Cf.
Gn 1,20); aladas segundo sua espécie (Cf. Gn 1,21); e que se multiplicassem pela terra” (Gn 1,22).
Ele, o
passarinho, era “um semeador que saiu para semear” (Mt
13,3). Ela esperava que o passarinho não deixasse as sementes caírem do
seu bico “a beira do caminho, porque outras aves iriam comê-las; nem soltasse
num lugar pedregoso, onde não havia terra, onde ela não poderia brotar porque
sem a profundeza da terra quando o sol surgisse, ela iria queimar-se; e se ela
caísse entre os espinhos, com certeza eles iriam lhe abafar; desejava cair em
terra boa para produzir frutos” (Cf. Mt 13,4-9).
“Ela sabia que
se caísse na terra e não morresse, permaneceria só; Mas, se ela morresse ela produziria
muitos frutos.” (Cf. Jo 12,24).
Ela estava
ciente que quando fosse semeada por aquele passarinho, ia ser igual ao “homem
que lança a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas ela, a
semente germinaria, cresceria, sem que ele soubesse como...” (Cf. Mc 4,27).
Também sabia
que “mesmo produzindo frutos, Deus podaria os ramos para produzir mais frutos
ainda.” (Cf. Jo 15,2).
Ela foi uma
semente que foi atendida em suas esperanças e por isso, fazia um paralelo entre
ela, a Palavra e os homens:
A primeira
delas foi cumprir os desígnios de Deus, que ela desconhece, mas pensa que deveria
ser e foi um fruto bom e útil para o próximo, tanto quanto os homens entre si
devem ser.
A segunda delas
foi “cair em terra boa e produzir frutos em cem, sessenta, trinta como
aconteceria com o trigo... O homem ouve a Palavra e a entende (Cf. Mt 13,23). É a semeadura da Palavra.
A terceira, ela
cresceu e foi “declarada como uma árvore boa e seu fruto bom; é pelo fruto se
conhece uma árvore”. (Cf. Lc 6,43). É
assim que se conhece um ser humano bom, pois “O homem bom, do bom tesouro do
coração tira o eu e bom” (Lc 6,45).
A quarta era
que se ela precisasse ser arrancada, que ela encontrasse um homem como “o
vinhateiro que pediu mais tempo ao seu senhor para arrancar a figueira; antes
iria cavar-lhe ao redor e adubar e esperar mais um ano” (Cf. Lc 13,6-9). E assim aconteceu
com ela como acontece com tantos homens, que nem percebem que Deus lhe adubou
com benefícios e anos de vida... “Só Ele pode prolongar um pouco a duração da
vida e só Ele sabe do que temos necessidade” (Lc
12,25-30).
A quinta: não
gostaria de secar como “a figueira secara mesmo coberta de folhagem porque não
se achava em tempo de figo, mesmo sabendo, que pela figueira seca até a raiz,
Jesus ensinara a ter fé e a orar” (Cf. Mt
21,18-22). Isso nunca aconteceu, isto é, estava vigorosa, forte e útil,
sem secar como aquela figueira. Ainda assim, era exemplo de fé e oração, pois
era criação de Deus. Não era filha porque não era gente.
E finalmente, a sexta, aconteceu até os dias de hoje: ela
queria servir ao homem no seu desenvolvimento espiritual: os seus frutos poderiam
ser comparados com todas as ações boas que os homens podem ter... Os frutos
poderiam ser o Evangelho chegando à casa de cada um, como a terra boa que ela
vingou... Que o homem reconhecesse que o “fruto do Espírito é amor, alegria,
paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio;
Contra os frutos do Espírito não existe lei.” (Cf. Gl
5,22).
Ela estava
ciente de que nem ela nem o homem tinham poder de lhe dar os seus desejos de
semente porque ela não podia mudar a sua cor, nem o passarinho a cor da sua
pena, tanto quanto o “homem não pode tornar um só cabelo branco ou preto” (Cf.
Mt 5,36). Tudo que ela recebera viera de Deus! E
é assim para os homens, “pois a terra e tudo que ela contém pertencem ao
Senhor” (Sl 24,1).
“Quem permanece em Jesus produz muitos frutos.” (Jo 15,5).
(Em
26/12/2021)
28 – Os Adotados
Você
já venceu uma tribulação pela oração?
Eles eram dois
irmãos consanguíneos que tiveram a misericórdia de Deus e foram adotados no
mesmo lar. Eles eram diferentes num ponto: um tinha mansidão e o outro era
muito revoltado.
A primeira
adoção da História que se teve conhecimento na Bíblia foi assim: “O Rei do
Egito queria que matassem todos os filhos homens que nascessem; Uma mulher da
casa de Levi, não podendo mais esconder seu filho preparou um cesto, deitou o
filho e pôs o cesto no rio; A filha do faraó encontrou o cesto com a criança;
Essa é a história de Moisés (Ex 2,1-10). Há a História de “Ester,
filha de Abiail, que foi adotada por Mardoqueu (Est 2,5-7); e Noemi aceitou a companhia
da nora Rute (Cf. Rt 1,22) praticamente como
sua filha.
Essas foram adoções
lidas e lembradas. Pode haver outras...
Outro caso de
adoção, o mais importante de todos, foi quando “José assumiu a paternidade de
Jesus, o filho de Deus (Mt 1,18-25); Esse
filho, quando cresceu, deu poder a todos que O receberam tornarem-se filhos de Deus”
(Jo 1,12).
A maior de todas as adoções foi a filiação Divina. “Deus predestinou que
fôssemos por Jesus Cristo filhos adotivos de Deus conforme beneplácito da sua
vontade” (Ef 1,5).
Os irmãos adotados, nesta história, sabiam destas passagens, pois ambos foram criados estudando o Evangelho. Enquanto um se fortalecia com estes preceitos o outro estava preso à gravidez indesejada pela mãe biológica que resultara naquela adoção, sem conseguir enxergar um gesto de amor por parte dos pais adotivos, que eles optaram ao ficar com os dois irmãos para não separá-los, sem perceberem que os pais adotivos “receberam o dom de servir e estavam exercendo o serviço na proporção da fé (Cf. Rm 12,6-7) como dons diferentes, segundo a graça dada por Deus. , com a capacidade que Deus lhes concedeu a fim de que tudo fosse Deus glorificado (1Pd 4,11).
“Jesus
dissera: Deixai as crianças e não as impeçais de vir a mim...” (Mt 19,14) Assim aquelas crianças chegaram àquele
casal. Em pensamento eles disseram isso muitas vezes em suas orações e parecia
que diziam a todos que faziam parte daquele “Processo de Adoção”.
Os pais
adotivos sabiam que mesmo sendo pais tinham que “se converter e se tornarem
pequeninos como aquelas crianças para entrarem no Reino” (Mt 18,3) e com simplicidade e humildade eles vivenciavam
isso, porque “o céu é o trono de Deus” (Cf. Mt
5,34) onde gostarão de estar quando chegar a hora.
Pode-se dizer
que os dois filhos se assemelhavam com a “Parábola dos Dois filhos: Quando os
pais lhes pediam ajuda, um era aquele que dizia que não ia, mas o remorso se
achegava e ele ia; O outro era aquele que dizia que já estava indo, mas normalmente
não ia de fato” (Cf. Mt 21,28-32). Ambos erravam e não “honravam seus pais” (Ex
20,4), mas um se redimia e o outro acumulava mais pecados.
Um dia, aquele
que nunca aceitara sua condição de filho adotivo ligou a televisão. Escutou
alguém lendo uma mensagem que Jesus falava com Paulo: “Por que me persegues?” (At
9,4). Era como se ele tivesse escutado: Por que persegues teus pais?
“Pedro negou Jesus três vezes e chorara amargamente.” (Mt
26,69-75). E ele quanto teria de chorar? Há 20 (vinte) anos ele condenava
os pais sempre os destratando... E ele chorara... Chorara... Chorara...
Depois de
chorar, orara: “Ó Deus, tem piedade de mim, pois estou oprimido; a dor me
consome os olhos, a garganta e as entranhas; eis que minha vida se consome em
tristeza” (Sl 31,10-11); “Apaga minhas
transgressões, por tua compaixão; Lava-me inteiro da minha iniquidade, e
purifica-me do meu pecado” (Cf. Sl 51,3-5);
“eis que eu nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado” (Sl 51,7). E como valorizei demais isso, me esqueci da
misericórdia e do amor dos meus pais adotivos. Eu me “deixei vencer pelo mal
sabendo que se vence o mal com o bem” (Cf. Rm
12,21). Sem me vigiar, eu “armei uma rede aos meus passos, fiquei
encurvado e cavei um buraco à minha frente” (Cf. Sl
57,7); “Em ti, Deus está meu abrigo” (Sl
62,8). “Ó Deus, tu és meu Deus, eu te procuro” (Sl
63,1); “faze-me ouvir o jubilo e a alegria; Esconde a tua face dos meus
pecados e apaga minhas iniquidades todas; Ó Deus cria em mim um coração puro e
renova um espírito firme no meu peito.” (Cf. Sl
51,10-12). Amém.
A mudança daquele
rebelde começou com o reconhecimento de suas más ações, o arrependimento e as
orações.
Os pais e o
irmão manso foram percebendo paulatinamente a mudança do revoltado, e para que
ela se concretizasse de fato, intimamente cada um orava ciente da necessidade
de fazer isto, incluindo-se na oração: “Deus tem piedade e ouve a minha prece (Sl 4,2): Esperamos ansiosamente em Ti (Cf. Sl 40,2); Mostra-me teus caminhos Deus, ensina-me as
tuas veredas. Guia-me com tua verdade.” (Sl
25,4-5). Obrigado Senhor. Que o Senhor seja louvado sempre! Amém.
“Põe tua alegria em Deus e ele realizará os desejos do
teu coração.” (Sl 37,4)
(Em
27/12/2021)
29 – Uma Conversa sobre o Natal
Todos os Símbolos de Natal São Bíblicos?
Ele era um
menino precoce na fase do “Por quê?”. Vivia perguntando as coisas à mãe e
queria respostas que vinham do “Livro de Deus”, pois era assim que ele chamava
a Bíblia.
A História de
Jesus atraía tanto aquele menino que normalmente brincava com seus burrinhos,
cavalos e bonecos encenando a “visita dos pastores” (Mt
2,1-12) e outras cenas que lhe trouxessem alegria às suas brincadeiras. Lembrando
Presépio que é a representação do nascimento de Jesus.
O tempo de
Natal chegara e ele começara a sabatina. A mãe não tinha todas as respostas nem
imaginava o que aquela conversa na verdade lhe traria... E assim ele começara:
– Mãe, eu
entendo o Presépio: “Maria deu luz a seu filho, envolve-o com faixas e
reclinou-O numa manjedoura; pastores visitaram-nO; os três Magos do oriente,
guiados por uma estrela, chegaram e O presentearam com ouro, incenso
e mirra; o Reino de Jesus não era deste mundo, mas foi reconhecido pelos
Magos como Rei de Judá.” (Lc 2,1-20).
Jesus foi presenteado como se costumava fazer com os reis? Mas por que troca de
presentes se lá só houve doação?
– Não se
chegava junto a um rei com mãos vazias e os Magos O reconheciam como Rei. Penso
que “os costumes dos povos são vaidades” (Jr 10,3). E talvez uma
delas seja transformar dar presentes por trocar presentes. Pode ser também que
vejam na troca, doações entre si...
– Sei que naquele
dia, “juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, cantando glória a
Deus no mais alto do céu e paz na terra aos que ele ama;” (Lc 2,13-14). Anjos tocam flautas, harpas, címbalos,
trombetas... Por que há sinos no Natal, mãe?
– “Nos tempos
de Moisés, Deus determinou que os sacerdotes colocassem uma campainha e uma
romã, alternados em toda orla do manto (Ex 28,34);
As campainhas no manto anunciariam a entrada do sacerdote ao Santuário.” (Ex
28,35); Provavelmente, simbolizam o anúncio do “nascimento de Jesus que
fora comemorado com louvores” (Lc 2,13) e
outros instrumentos musicais. Muito tempo depois, os sinos tiveram outras
funções: informavam as horas, as mortes de pessoas e chamavam os fiéis para a
missa.
O cenário do
Natal com aqueles símbolos dava um colorido especial naquela casa. Ambos sentiam
que Jesus passara o ano com eles e sua mãe não media esforços para homenagear o
aniversariante. Ela caprichava na limpeza, arrumação, ornamentação e comidas...
Tudo isto o encantava e a curiosidade lhe aflorava mais ainda:
– Mãe, tem guirlanda
e árvore de Natal no “Livro de Deus”?
– Além das
coroas dos reis, uma das guirlandas mencionadas é a “Coroa de Cristo – a
coroação de espinhos” (Mt 27,27-31),
infelizmente. Outras passagens falam de coroas de um modo geral, “como prêmio
para um vencedor atleta, uma coroa perecível, quando deveríamos buscar a coroa
imperecível” (1Cor 9,24-26). Penso que é o equivalente a uma medalha
ou troféu e há um convite implícito para sermos vencedores em Cristo, quando
diz: corra para buscar o prêmio: a “coroa da vida sendo fiel” (Cf. Ap 2,10). Quanto à “Árvore faz parte da Criação” (Gn 1,11-13). Talvez seja mais uma vaidade humana. De
certa forma o pinheiro lembra um triângulo, e consequentemente a trindade.
Há uma relação
implícita na Bíblica que diz: “A glória de Jesus foi dada no seu nascimento” (Lc 2,14). Sei que Jesus não pediu que celebrassem Seu
nascimento, mas que “celebrasse a Sua morte, quando instituiu a Eucaristia e
disse: fazei isso em minha memória” (Lc 22,19-20).
Também nem sei se Jesus nasceu dia 25, parece que é uma convenção. Sabe que
Jesus dividiu os anos: antes e depois de Cristo. Veja filho, “tudo que Deus criou é bom, e
nada é desprezível se tomado com ação de graças” (1Tm 4,4). A
guirlanda e a árvore homenageiam Jesus. Acrescento também a “Ceia do Senhor”
(1Cor 11,23), que para mim, não é só na Páscoa.
– E a vela?
– A vela em
si, ainda não existia. Mas a luz sim... E envolve muitos significados. “Deus
pediu que Moisés fizesse castiçais” (Ex 25,31-40). Eles serviram
para receber algo que produzia luz, que seria a vela se existisse... “No
castiçal havia relevo de flores e frutas” (Ex 25,31-40). Não sei se
a inspiração da guirlanda veio daí... “Deus é o Criador” (Gn 1,1) e o homem, o criativo. A vela é candeia; É
convite para sermos luz para o próximo; “brilhar para que nossa luz diante dos
homens seja vista pelas nossas obras e elas glorifiquem o Pai que está nos céus
(Mt 5,16) ; Jesus é a Luz do mundo (Jo 8,12), o Caminho, a Verdade a Vida (Jo 16,6); A Palavra também é Luz” (Sl 119,105).
A História e o
cenário naquela casa representavam bem o amor a Jesus Cristo e reforçavam a
dedicação dada a Ele naquele período. Mas, aquele menino precoce sentia que
faltava um comportamento de amor ao próximo, esquecido naquele ambiente
natalino. Por isso, se preparara para lançar aquela pergunta, esperando que as
respostas resultassem num acréscimo de manifestação de amor e louvor a Deus:
“amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37).
E assim começara...
– É complicado
mesmo. É mais fácil falar de Papai Noel... Ele tem origem a São Nicolau que
distribuía coisas aos pobres. “Jesus nasceu e foi colocado numa manjedoura” (Lc 2,7), “adulto entrou em Jerusalém montado num
burrico” (Lc 19,35), não vai se preocupar
com alguém que anda de trenó puxado de renas, principalmente se for para fazer
o bem. Porém, o que Jesus mais queria na vida, além de que “amássemos a Deus
sobre todas as coisas” (Cf Mt
22,37)?
– “Ele queria que nós amássemos uns aos outros.” (Jo 13,34)
A partir desta
resposta, aquela conversa se tornaria a prática de tudo que Jesus espera entre os
próximos... Já não era sobre mitos e
verdades sobre o Natal... Iniciara um voto de amor...
– Então, por
que a senhora não se reconcilia com minha tia? Por que não tira a culpa de uma
e da outra que inibem nossa convivência? Por que não se perdoam? Por que não
deixa o amor entrar nos nossos corações e inundar esta casa? Por que não
presenteia o aniversariante com as coisas que Ele gosta? Com coisas que Lhe agradam? Com coisas que aquecem Seus olhos? Esta não
será uma das formas de buscar o prêmio e de ser luz?
A perspectiva
de mudança espiritual viera do seu filho. As lágrimas se tornaram abundantes,
os soluços ficaram altos, mas o reconhecimento daquela verdade era grande.
Aquela criança
cheia de sabedoria intuída pelo Espírito Santo se retirara da sala para deixar a
mãe refletir sobre sua proposta planejada provavelmente por Deus... Antes de se
afastar abraçara e beijara a mãe com um profundo carinho.
“Haverá
alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se converte” (Lc 15,10). E houve: pois as irmãs se entenderam e
todos os envolvidos. Foi assim que Jesus recebeu seu lindo presente de
aniversário, naquele lar!
“Feliz
aquele cuja ofensa é absolvida e cujo pecado é encoberto.” (Sl 32,1)
(Em
27/12/2021)
30 – O Doente
Você entrega a cura de uma doença só aos médicos?
Ele é um homem
que está doente. As feridas e as dores se apropriaram do seu corpo, mas não da
sua alma. Enquanto “Deus o sustentava no seu leito de dor, afofando a cama onde
definhava” (Cf. Sl 41,4), ele
dizia: Deus, “cura-me, tem piedade de mim, sei que pequei contra ti” (Cf. Sl 41,5). Isso porque “não existe um homem tão justo
sobre a face da terra que faça o bem sem jamais pecar” (Ecl 7,21).
“O espírito do
homem pode aguentar a doença, mas o espírito abatido quem o levantará?” (Pr
18,14) Quanto mais ele se apegava na oração e na fé, Deus levantava seu
espírito e muito provavelmente esperando o momento certo de levantar aquele
corpo.
“Por causa da
doença São Paulo começara evangelizar” (Gl 4,13).
Ele, evangelizado e evangelizador, fizera o contrário: parara porque adoecera. Esperava
voltar a evangelizar na Paróquia, nos sábados à tarde antes da “Missa das
Crianças”.
“Aguardava no
Espírito a esperança de justiça que vinha da fé (Gl
5,5); as obras da carne não lhe eram manifestadas: fornicação, impurezas,
libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúme, ira, discussões,
discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes” (Cf.
Gl 5,19-21). Aguardava também o momento de continuar
se mantendo distante dessas coisas. Se fosse propenso a isso, aquela cama o
impedia, pois estava numa prisão sem grades.
Sabia que “evitar o mal traz saúde ao corpo” (Pr
3,7-8), por isso, se mantivera na bondade e não “estivera entre os
bebedores de vinho e comedores de carne, pois bebedor e glutão empobrecem e o
sono veste o homem de trapo” (Pr 23,20-21). Mas, fazia jus à
recomendação: “bebia um pouco de vinho por causa do estômago e frequentes
fraqueza (1Tm 5,23); comia e bebia para a glória de Deus” (Cf.
1Cor 10,33); honrava Deus com o seu corpo e diante da doença cuidava-se.
“Os doentes
precisam de médico; assim dissera Jesus.” (cf. Lc
5,31). Também era comum ir “aos sacerdotes desde os tempos de Moisés (Cf.
Lv 13,3) e de Jesus, mostrar sua doença e sua cura” (Mc 1,44).
Embora, atendesse as recomendações médicas “sabia que seria maldito se confiasse
só no homem” (Cf. Jr 17,5); por isto, fiava-se em Deus. Não agira
como “o rei Asa que mesmo na doença não recorrera a Iahweh,
mas aos médicos” (2Cr 16,12).
Assim ele dava
equilíbrio àquela convivência intrínseca que ora lhe fora imposta: corpo e
espírito, e médico e Deus. Sente-se grato e fortalecido porque seu corpo estava
muito mais debilitado do que o espírito.
Deus nos deu o
corpo e sempre cuidara dele. Talvez, o primeiro zelo dado por Deus foi dar de
comer e o segundo foi quando “vestiu Adão e Eva com roupa de peles” (Gn 3,21). “
A purificação espiritual
e corporal prevalecia desde os tempos de
Moisés, ele mesmo lavara com água Aarão e seus filhos (Cf. Lv 8,6) e
fizera muitas recomendações, a pedido de Deus: lavar as mãos e os pés (Êx 30,19), pulverizar (Ex
30,36); lavar as vestes, rapar os pelos, lavar-se com água (Lv 14,8),
lavar-se pelas impurezas sexuais, de se isolar (Lv 13,45)...
Noutros
tempos, a Bíblia recomenda “o uso de colírios para ungir os olhos e poder enxergar”
(Ap 3,18). Ele se sentia
cuidado por Deus e agia para que “seu ser inteiro, o espírito, a alma e o
corpo, fossem guardados de modo irrepreensível para o dia da Vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5,23).
Muitos
sofredores não entendem que “Deus leva nossas dores e nossos sofrimentos sobre
si (Cf. Is 53,4), como Jesus encarnado tomou nossas enfermidades e
carregou nossas doenças” (Mt 8,17).
Ele precisava
“ter um coração alegre para ter um corpo contente (Cf. Pr 17,22); se
os parentes se alegravam, ele se alegrava com eles” (Cf. Rm 12,15), quando podia; “se nele o espírito se
abatesse seus ossos secariam” (Cf. Pr 17,22) e “sua saúde corporal deveria
ser tão boa como sua alma” (Cf. 3Jo 1,2).
Ele sabia que
“Deus estava enxugando toda lágrima dos seus olhos, pois ele era não haveria dor
nem morte... porque as palavras de Deus são fiéis e verdadeiras” (Cf. Ap 21,4-5), no entanto, um pouco de fraqueza lhe
abatia, e às vezes perguntava a Deus: “Por que a minha dor é contínua e minha ferida
é incurável e se recusa a sarar?” (Cf. Jr 15,18).
“Não lhe compete
conhecer o tempo e o momento” (At 1,7), então nunca ele se preocupou
“se ele passava por uma correção no leito com a dor” (Cf. Jó 33,19)
ou se era para “que nele fossem manifestadas as obras de Deus, porque nem ele
nem seus pais pecaram” (Cf. Jo 9,3). Sabia
que é “bem aventurado o homem que suporta com paciência a provação” (Tg 1,12) e assim o fazia.
“Sofria estes
contratempos e recorria à oração; chamou os presbíteros da Igreja para que o
ungisse com óleo em nome do Senhor; a oração da fé salva o doente; o Senhor o
porá de pé, e se houver cometido pecado, esses lhes serão perdoados” (Cf. Tg 5,13-15); oravam em família e ainda não se sabe se
ele foi ou vai ser curado.
Sempre esteve
ciente de que “aqueles sofrimentos daquele tempo presente, não tinham proporção
com a glória que deveria revelar-se” (Cf. Rm
8,18).
“A oração fervorosa do justo tem grande poder.” (Tg 5,16)
(Em
28/12/2021)
31 – A Pedra Reflete a Trajetória das Pedras
(As pedras)
Como as pedras podem gritar?
A pedra sabe
que “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecle 3,1). Se as pedras falassem para
nós diriam: Ideal seria se cada um pudesse escolher seu tempo e seu momento... Ou
talvez falasse assim: Tudo que Deus faz é apropriado em seu tempo e “Deus é
perfeito em seu caminho”. (Sl 18,31). Por
ela ser uma pedra, feita por Deus, tinha sido tantas outras coisas...
“Há um tempo
de atirar pedras e tempo de recolher pedras” (Ecle 3,3). Tanto faz, fez ou fará para ela... Desde
que seja atirada ou recolhida para o bem.
Sabia também
que têm as pedras têm um destaque muito especial na Bíblia. Seu valor se
equipara ao valor da figueira, dos frutos, das sementes, dos animais... Embora
não sejam um ser vivo, elas foram vidas, preservaram vidas e
tiraram vidas. Nunca fizeram planos, mas serviriam e servem aos desígnios de
Deus.
Elas davam
vida à presença de Deus. “O patriarca Jacó disse: Esta pedra que eu ergui
como uma estela será uma casa de Deus.” (Cf. Gn
28,22).
“Jacó usara
antes, essa pedra como travesseiro, sob sua cabeça, e sonhara com uma
escada que atingia o céu com anjos descendo e subindo (Cf. Gn 28,10-22). Jesus disse a Natanael, que se tornou
seu discípulo depois: “vereis o céu aberto e os anjos de Deus os céus subindo e
descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1,51).
Pela sua natureza, a Pedra não deve ter testemunhado este sonho. E para Deus!
Graças às pedras foram erguidos muitos
altares para Deus, conhecido por Iahweh, em
diversos lugares, nos tempos do profeta Moisés e dos Patriarcas e até os dias
de hoje. Elas até perderiam as contas... Se elas contassem...
Elas tinham “vida”
e consequentemente “ouvidos” quando eram convocadas a “testemunhar”: “Ajuntadas
num monte e erigidas, testemunharam que o patriarca Jacó e seu tio Labão (Pai
da amada Raquel) não poderiam ultrapassar aquele monte que fora formado por
elas, as pedras (Gn 31,43-54); o profeta Josué
tomou uma pedra e a erigiu ali no pé do Carvalho o santuário de Iahweh e disse: eis que esta pedra será um testemunho
contra nós porque ela ouviu todas as palavras que Deus nos dirigiu; será um
testemunho” (Cf. Js 24,27).
Ter coração de pedra era um termo usado
para os corações endurecidos das pessoas que profanavam Deus; Em Israel houve
muitos, mas destaca-se o “Faraó”, Rei do Egito (Êx
7,3; e outros). Deus prometeu ao homem “tirar do peito o coração de
pedra e dar um coração novo, de carne, onde poria Seu Espírito” (Cf. Ez 36,26-27).
Apesar de toda força da pedra “a água desgasta
as pedras” (Jó 14,19). E ela espera que o amor seja a água que possa
desgastar as pedras de todo coração endurecido.
“Jacó disse a
seus irmãos: Ajuntai pedras. Eles pegaram pedras e com elas fizeram um monte
sobre o qual comeram (Gn 31,46). Na Ceia
do Senhor, Jesus também sentou com seus irmãos. Não comeu porque só comeria no
Reino, mas apóstolo comeram” (Lc 22,14). Quantas
vezes ela, a pedra, “se alegra” com encontros de fraternidade sobre ela!
As pedras
gostam mesmo é de serem úteis. Eis
alguns exemplos em tempos distintos: “Nos tempos de Jesus foi citada como medida
de comprimento quando Ele afastou-se a um tiro de pedra para orar” (Cf.
Lc 22,41); “Nos tempos de Moisés foi enfeite
do peitoral do efod para a incisão de um selo” (Êx 28,9-13); e “nos tempos de Josué recebeu os
nomes gravados das 12 casas de Jacó – 12 tribos – para se conservar na memória a história, e
foram colocadas sobre o Jordão; quando os filhos perguntassem era para
responder que o rio se abrira diante da Arca de Iahweh”
(Cf. Js 4,1-9).
“Ela servira
de assento para Moisés no combate contra o chefe de tribo Amalec. Quando as mãos dele estavam pesadas e Aarão e Hur
sustentavam-lhe as mãos para vencerem o combate” (Cf. Êx
17,8-16).
Também foi assento
para o “Anjo do Senhor, que desceu do céu, seu aspecto era como o do
relâmpago, com vestes brancas como a neve. Ele removera a pedra, sentou-se
sobre a ela e anunciou às mulheres a Ressurreição de Cristo” (Cf. Mt 28,2-7). Era assim que as pedras foram fazendo
parte da História.
Além de “fechar
sepulcros (Mt 27,57) uma pedra tapava
a boca grande do poço; e um dos motivos da retirada da pedra foi
alimentar o rebanho do seu tio Labão para ser depois recolocada no lugar” (Cf.
Gn 29,2). Ela era proteção para o corpo sem
vida e para a água que era fonte de vida física e espiritual.
“Tinha sido um
marco para Samuel que a colocara entre Masfa e Sen dizendo: Até aqui Iahweh nos
socorreu” (1Sm 7,12). Fala-se tanto esta frase e poucos sabem que “há
uma pedra, de nome Ebenezer” (1Sm 7,12)
representando esta afirmativa. Esta frase mais parece um ditado popular.
Um dia “quando
tiveram sede, e invocaram a Deus, de uma rocha áspera lhes deu água, uma
pedra dura os dessedentou” (Sb 11,4).
“As pedras gritariam
da parede se fossem utilizadas para as casas de injustos pelos pecados” (Cf.
Hab 2,9-11).
“Se os
discípulos calassem as pedras
gritariam quando Jesus entrou montado num jumento e foi aclamado” (Cf.
Lc 19,40). Somente Deus poderia ouvir
quando testemunhavam e gritavam em Seu favor.
“No Evangelho é revelada a justiça de Deus;
uma justiça que do princípio ao fim é pela fé; como está escrito, o justo
viverá pela fé” (Cf. Rm 1,16-17). Mas, nem
tudo correu bem por parte das pedras, na ignorante visão humana...
E assim, ela foi
um algoz, um instrumento para matar algumas pessoas: “uma mulher atirou
uma pedra morta, do moinho do alto da muralha, ao juiz Abimalec”
(Jz 9,50-56); “o rei Davi, antes ser
rei, lançou com a funda, uma pedra e matou Golias, num combate singular”
(1Sm 17,40-54); “os adúlteros morriam apedrejados e Jesus falara na
passagem da ‘Mulher Adultera’: Atire a primeira pedra quem não tem pecado,
quando lhe a apresentaram” (Cf. Jo 8,1-11)
e por pouco ela não morreu apedrejada; “Estevão morreu apedrejado porque
a Igreja de Jesus era perseguida” (At 7,55-60).
“Acã, homem da tribo de Judá (Js 7,1), juntamente com outros, escandalizou Israel
se apropriando de coisas indevidas, pecando contra Iahweh.
Depois de comprovado, foi apedrejado e levantaram sobre ele um monte de
pedras; os outros foram apedrejados também.” (Cf. Js
7,16-26).
“Os escândalos
eram necessários, mas quem os causasse, seria melhor ser lançado ao mar com uma
pedra de moinho enfiada no pescoço.” (Cf. Lc 17,2). Muitos quiseram apedrejar
Jesus: Então “apanharam pedras apara atirar em Jesus, porém Ele ocultou-se
e saiu do Templo” (Jo 8,59); “Outra vez,
apanharam pedras para apedrejá-lo e Ele retrucou com palavras: Eu vos
mostrei inúmeras boas obras, vindas do meu Pai. Por qual delas quereis
lapidar-me?” (Jo 10,31). Ora Ele se escondia
ora conversava.
O termo “pedra de tropeço fora usado por Jesus a
Pedro” (Cf. Mt 16,23). Esse “queria
por empecilho na estrada que o Messias deveria trilhar” (Rodapé Pág 1734).
Bem que ela
gostaria de ter sido solo fértil, “terra boa para a semente que caiu
entre as pedras, naquele lugar pedregoso e que a alegria das pessoas que
recebem a Palavra permanecesse” (Cf. Mt 13,18-23),
conforme a comparação dada. Mas, não lhe cabia seu próprio desígnio.
Nada diminuiu
seu valor que aparece numa crescente, como já foi visto e ainda está por vir:
“Foi numa pedra
que foi gravado o Decálogo, escrito por Deus” (Êx
31,18 e 34,1) para que os homens se tornassem próximos d’Ele mesmo e dos
outros. O caminho de convivência com o próximo.
A pedra se sentia confortável porque gerava
emprego para as pessoas:
O rei mandou
extrair “grandes blocos de pedras escolhidas e lavradas, para construir
os alicerces do Templo” (1Rs 5,31). Nos tempos de Salomão, todos os edifícios
eram feitos de pedras escolhidas,
talhadas sob medida... (1Rs 7,9).
Como o Templo
de Salomão foi destruído, Zorobabel pagou a talhadores de pedras e refez o Templo” (Cf.
Esd 3,7), não com a mesma suntuosidade.
Destruído novamente, “Herodes, o Magno, o reconstruiu” (Quadro Cronológico
– Pág. 2181).
“Com Jesus,
veio a Profecia sobre o Templo (Lc 21,5) e
sobre Jerusalém” (Lc 19,44): “Não
ficará pedra sobre pedra”. Isso aconteceu 70 anos depois (Quadro
Cronológico – Pág. 2186).
Ela já não era uma pedra ou um monte de
pedras. Ela fazia parte da casa de Deus. E foi com pesar que ela ouvira Jesus profetizar,
pois já não via retorno. Atualmente é o ‘Muro das Lamentações’ palco
para manifestações bíblicas. Já fora “nos
tempos de Esdras, ninguém podia distinguir os gritos de alegria do rumor das
lamentações do povo, pois ainda havia muitos anciões que viram o primeiro
Templo” (Esd 3,13) e eles sabiam quão
diferente ele era!
Uma das suas
maiores importância da pedra foi abstrata. “O nome Pedro procede da pedra
(rocha) e Jesus disse: “Sobre esta pedra edificarei minha Igreja (Cf.
Mt 16,18). “A assembleia, a comunidade do povo
eleito.” (Cf. 1Pd 2,9). Esta Igreja ela não podia edificar. Estava
na mente humana. Pode edificar o local onde as pessoas se congregam para
partilhar a “Ceia do Senhor” por meio da Eucaristia até os dias de hoje.
Mas, a maior
pedra de todas, foi a Pedra Transcendental: “a Pedra Angular,
que é Jesus Cristo” (Ef 2,20); “a
pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi
feito isso e é maravilha aos nossos olhos” (MT 21,42); Deus
pôs em Sião uma pedra de tropeço, uma rocha de escândalo, mas quem nela crer
não será confundido (Rm 9,33); a pedra
eleita e preciosa” (1Pd 2,6); a pedra de aclamação, “graça,
graça a ela!” (Zc 4,7); porque ninguém
pode por outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1Cor
3,11). Depois, Pedro chamou os discípulos de pedras vivas e os
convidou para se prestarem à construção de um edifício espiritual (1Pd
2,5).
Aquela mera
pedra nem sabe mais o que acrescentar nesta narração...
“Ponde vossa confiança em Deus para todo o sempre,
porque Deus é rocha eterna.” (Is 26,4)
(Em 28/12/21)
32 – O Homem “Morno”
Você já fez promessas a si mesmo?
Ele é um homem como qualquer um ou como qualquer mulher que não é firme
com seus propósitos.
Ele faz jus às assertivas: “Não és frio nem quente. Oxalá fosse frio ou
quente!” (Ap 3,15). E contrário a Deus que diz: “porque és morno, nem frio nem quente, estou para te vomitar de minha boca” (Ap 3,16).
O desejo da
escolha se identifica com a frase: “Seja o vosso ‘sim’, sim; e o vosso ‘não’, não”.
(Mt 5,37). Quando ele diz: “daqui a pouco”,
“amanhã eu faço”, “segunda-feira eu começo”, “no próximo ano”, simplesmente, ele
é morno. E o “sim” pode ser uma coisa ou outra, tanto quanto o “não”. E Deus
complementou: “O que passa disso vem do Maligno” (Mt
5,37), deixando claro que tem que escolher o lado, porque “ninguém pode
servir a dois senhores. Não podeis servir a Deus e o dinheiro” (Cf. Mt 6,24), ou qualquer outro desejo...
Este tempo
determinado por ele, de um modo geral, está relacionado com regime, ir à
academia, fazer exames para ir ao médico, procurar um trabalho, deixar um
vício, começar a estudar, sair para resolver problema às vezes urgente, entre
tantas outras atitudes... Ele nem sabe que “há um tempo para tudo” (Ecl 3,1). Talvez suas escolhas estejam contidas em:
“Desde o princípio que Deus criou o homem e o abandonou à própria decisão” (Ecl 15,14), mas ele não vai além da promessa.
Dieta / Regime
/ Pecado da Gula
“Na criação, a
alimentação foi o primeiro mandamento dado por Deus: podes comer todas as
árvores, menos a do conhecimento do bem e do mal, que ficava no centro do
jardim” (Cf. Gn 2,16). Posteriormente,
“Ele falou ao profeta Moisés: avise ao povo de Israel que eles podem comer
animais terrestres, aquáticos, aves e insetos, mas, impôs também limitações
como não comer camelos... animais sem barbatana e escamas... abutres... insetos
alados que caminham com quatro pés.” (Cf. Lv 11,1-23).
“O apóstolo
Paulo reforçou: quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa,
fazei tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31); mas, é preciso ter
caridade para os fracos: “acolher o fraco na fé, sem querer discutir opiniões;
Um acha que pode comer de tudo, ao passo que o fraco só come verdura. Quem come
não despreze aquele que não come; e aquele que não come, não condene quem come;
porque Deus o acolheu. Quem és tu que julgas o servo alheio?” (Rm 14,1-4). Há mais profundidade na alimentação do
que o regime em si, como se pode ver,
mas não é por isso que ele não se aventurou.
“Jesus
afirmou: Não há nada no exterior do homem, que penetrando nele, o possa tornar
impuro porque nada disso entra no coração.” (Mc 7,14-23).
Cuidados com o
corpo / Academia / Médico
Quanto ao
adiamento de ir à academia, mostra
um lado bom “se não há idolatria pelo seu corpo” nem preocupação “com a
sensualidade”. Mas não é só isso que a academia oferece. Ela lhe oferece meios
de se ter saúde. Portanto, não pode ser adiada a ida a mesma.
É verdade que “pouco
serve o exercício corporal, ao passo que a piedade é proveitosa em tudo, pois
contém a promessa da vida presente e futura (1Tm 4,8); todos correm
no estádio para ganharem o prêmio, mas só um ganha (1Cor 9,24); os
atletas se abstêm de tudo para ganharem uma coroa perecível (1Cor 9,24);
não recebe a coroa se não lutou segundo as regras (2Tm 2,5); que corram,
portanto, para pegar uma coroa imperecível” (1Cor 9,25) guardando-se
na fé, exercitando-se na piedade acima de tudo, sem se afastar dos mandamentos.
“Nossos corpos
são membros de Cristo; é o Templo do Espírito Santo; deve ser glorificado em
Deus.” (Cf. 1Cor 6,15-25) Por isso, devem ser cuidados numa academia
ou não. Todos têm o “Dom da Sabedoria” para acolher uma alimentação
saudável e exercícios adequados, ou mesmo buscar um profissional que cuide de
nossa saúde. Também “evitar o mal será saúde para o corpo” (Pr 3,8).
Para cuidar da
saúde os médicos são citados na
Bíblia como também os sacerdotes. Esses ocupavam também a função de cura e
avaliação; “ide mostrar-vos ao sacerdote, após a cura dos dez leprosos” (Lc 17,14) conforme disse Jesus. Eles eram necessários
à cura e ao zelo de Deus por todos. Deus disse: “Honra o médico. Da terra o
Senhor criou o remédio, o homem sensato, não o despreza. Dá lugar ao médico
porque Deus criou, não o afaste de ti porque deles tem necessidade. Há ocasião
que o êxito está em suas mãos”. (Cf. Ecl 38,1-15).
Enfim, a academia e o médico ficaram para depois.
Trabalho /
Estudo / Pecado da Preguiça
“Quem não quer
trabalhar também não há de comer.” (2Ts 3,10). Assim se justifica a
busca pelo trabalho. Também foi vã a
vontade.
“O Espírito dá
ao homem mensagem de sabedoria.” (1Cor 12,7) Ele podia adquirir
conhecimento buscando o estudo, “dando
ouvido a sabedoria e inclinando o coração para ao entendimento (Pr 2,2),
mas não dera atenção aos seus mestres nem dera ouvidos aos seus educadores (Pr
5,13) e também “deveria ter buscado a verdade pelo ensinamento perfeito” (Rodapé
Pág 2008). Nada disso foi feito.
Tomadas de
decisão / Vícios
“Tudo me é
permitido, mas nem tudo convém, e não me deixarei escravizar por coisa alguma.”
(1Cor 6,12).
Como o
apóstolo Paulo, as tomadas de decisões por parte dele, podiam ser sim, um
livramento dos vícios, um caminho
para não se “deixar prender ao jugo da escravidão” (Gl
5,1). Jesus dissera: “Em verdade em verdade vos digo: quem comete pecado
é escravo” (Jo 8,34). “E todos que
cometeram pecado estão privados da Glória de Deus” (Cf. Rm 3,23). Ele preferiu a escravidão.
Outra coisa
preocupante era a crença quanto aos Planos de Deus, que ele não tinha. Vivia na
sorte mundana. Ignorando que “Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o
amam daqueles que chamam segundo o seu desígnio (Rm
8,28) e muitos são os projetos do coração humano, mas é o desígnio de
Deus que permanece firme” (Pr 19,21). Falta àquele homem “o fruto do
Espírito chamado autodomínio” (Gl 5,23),
pois ele leva ao pé da letra esta assertiva: “não vos preocupeis
com a vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao
que haveis de vestir” (Mt 6,25).
“Somos criaturas
de Deus, criados em Cristo Jesus, para as boas obras que Deus já antes prepara para
que nela andássemos.” (Ef 2,10). Esperar em
Deus a resolução de tudo vai além de abandonar-se à Providência porque a acomodação
dele não é de Deus. É preciso ter confiança em Deus, mas também que ter força
para fazer sua parte.
Em várias
passagens estão expostas a necessidade da contribuição humana para se alcançar
uma graça divina: “Naamã, o chefe do exército do rei
Aram, deveria lavar-se no rio Jordão sete vezes” (2Rs 5,10); “o rei Ezequias
deveria formar um pão de figos e aplicar na úlcera” (Is 38,21); “Tobias,
descendente da tribo de Neftali, deveria untar os
olhos do pai, Tobit, com o fel do peixe para
recuperar a visão do genitor conforme o Anjo Rafael o orientara” (Cf. Tb
11,8); “o cego de nascença deveria se lavar na piscina de Siloé” (Cf.
Jo 9,7); “o enfermo não tinha quem o jogasse na
piscina de Betesda e por Jesus deveria levanta-se,
tomar a sua cama e andar (Cf. Jo 5,7-8) ; “Jesus
ainda fazia uma exigência: ter fé e crer que seria curado, como no caso dos
cegos de Jericó” (Mt 20,32) “e não pecar mais” (Cf. Jo 5,14).
Eram intrigantes
as promessas feitas ainda que a si mesmo, porque ele não sabia que “Se fazes
uma promessa não tarde de cumpri-la porque Deus não gosta de insensatos (embora
a promessa dele não estivesse ligada diretamente a Deus); cumpre o que
prometeste; mais vale não fazer a promessa do que não fazê-la e não cumprir;
não deixe que a boca te leve ao pecado” (Cf. Ecl
5,3-5).
“Tomara que sua boca não “mais” se precipite e
seu coração não se apresse (Ecl 5,1); e,
que prossiga para o alvo, para o prêmio da vocação do alto, esquecendo-se o que
fica para trás e avançando para o que está adiante” (Cf. Fl 3,13-14).
Deus disse a
Tomé: “Por que está perturbado e por que surgem tais dúvidas em vosso coração?”
(Lc 24,38). Essa pergunta é feita na vida
cotidiana de cada ser humano e convida para “parar de duvidar e crer” (Cf. Jo 20,27). Assegura que
se disser a montanha “Ergue-te e lança-se ao mar, isto acontecerá (Mt 21,21; Mc 11,23. Com tamanho poder é impossível
viver morno e sem ‘sim’ e ‘não’ definidos...
Que ele se entregue
a Deus, para que Ele, Deus “da paz conceda santidade perfeita e que o seu vosso
ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo
irrepreensível para o dia da vinda do Senhor Jesus Cristo (1Ts 5,23)
porque, se vivemos é para o Senhor que vivemos, e se morremos é para o Senhor
que morremos (Rm 14,8), e assim cada um de
nós prestará contas a Deus de si próprio” (Rm
14,12).
“Vigiai, permaneceis firmes na fé, sede corajosos e
fortes.” (1Cor 16,13)
(Em 29/12/21)
33 – O Próximo
O que você já fez a um próximo?
Ele era um
homem “sóbrio, cheio de bom senso, simples no vestir, hospitaleiro, competente
no ensino, nem dado ao vinho, nem briguento, mas indulgente, pacífico, desinteresseiro,
esposo de uma só mulher, e sabia governar bem a própria casa, mantendo os
filhos na submissão, com dignidade. Era um comportamento semelhante aos
epíscopos” (Cf. 1Tm 3,1-8) e isso não lhe impedira de ter inimigos
provenientes da inveja.
Como tudo na
vida vem de Deus, ele recebera com amor os próximos que lhe foram dados e
agregara tantos outros. Ele não era muito abonado financeiramente, mas junto com
os amigos próximos conseguia fazer as obras de Deus.
“Num só corpo temos muitos membros e os
membros não têm todos, a mesma função, de modo análogo, nós somos muito e
formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros” (Rm 12,4) e estamos ligados a Cabeça da Igreja que é o
Senhor Jesus Cristo e o salvador do corpo” (Ef
5,23). Ele sendo um dos membros da Cabeça de Jesus, era também o cabeça
entre os amigos naquele servir ao próximo, praticando com entusiasmo “o amai ao
teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12,31).
Nunca dissera
ao seu vizinho, próximo em moradia: “Vai embora! Passa depois! Amanhã
dar-te-ei... (Pr 3,28) Não me importunes; a porta já está fechada, e
eu e meus filhos estamos na cama; não posso levantar-me para dá-los a ti” (Lc 11,7).
Eram seus
próximos tanto o réu como o inocente “porque era uma testemunha fiel que não
mentia (Cf. Pr 14,5), veraz que salvava vidas (Cf. Pr 14,25)
e não testemunhava sem motivos contra um próximo” (Pr 24,28).
“Não
abandonava o amigo, nem os amigos do pai.”Cf.
Pr 27,10) Eram seus próximos tanto quanto os inimigos. Se “eles tinham
fome dava o que comer, se tinham sede, dava o que beber” (Cf..Mt 25,35) e outras
coisas que precisassem. Jesus orientava agir assim, e fazia mais, curava os que
precisavam.
“Quando os
discípulos de João Batista perguntaram a Jesus se Ele era quem deveria vir,
Jesus responder: cegos recuperam a visão, coxos andam, surdos ouvem, leprosos
são purificados e os pobres são evangelizados.” (Mt
11,5).
Como nos
tempos de Jesus, “Sem que sua mão esquerda soubesse o que sua mão fazia” (Mt 6,3) ele poderia dizer o seguinte sobre os
próximos que ele servia: deficientes visuais ganham óculos, coxos recebem
cadeira de rodas, deficientes auditivos são beneficiados com aparelhos e
doentes de um modo geral são agraciados com remédios e todos recebiam
evangelização por sua parte.
“Jesus disse: Ai de vós fariseus, hipócritas
que devoram os bens da viúva com o pretexto de fazer longas orações.” (Lc 20,47) Esta afirmativa não lhe pesava. Ele cuidava
da viúva, sua próxima, naquele momento de vulnerabilidade e depois ajudava na
parte burocrática de documentação, acertos de pagamentos e até cestas básicas
se houvesse precisão.
“Quando chegar
a hora do seu ‘Julgamento’ (Mt 25,31-46) e
Jesus lhe perguntar: Deste de comer e beber ao necessitado? Vestiste o nu?
Acolheste o forasteiro? Visitastes os presos e os doentes?” Ele está apto a
dizer: Sim, Senhor! Fiz tudo isso por estes próximos: viúvas, órfãos,
indigentes, moradores de rua. Servi a cada um de acordo com suas necessidades e
minhas posses. Fiz isso por eles, por ti, pelo Reino e ouso dizer, por mim,
pois posso testemunhar que “há mais felicidade em dar
do que receber” (At 20,35).
Ele “abria a
boca em favor do mudo, em defesa dos abandonados, julgava com justiça
defendendo o pobre e o indignado” (Cf. Pr 31,8-9) e conhecia a causa
dos fracos.
Ao próximo,
poucas vezes ele precisou “ofertar tudo o que possuía como aquela viúva
ofertara ao Templo na sua penúria” (Cf. Lc
21,1-4). E houve ocasiões que ele só pode ser para o próximo, consolo
para os aflitos, palavras para os desafortunados e ouvidos para os
necessitados. Nunca deixara de orar por eles.
A sua mulher
era sua companheira e o auxiliava naquelas ações de Amor ao Próximo. Ela “cumprira
o pensamento de Deus na criação: “Não é bom que o homem, Adão, esteja sozinho”
e não encontrando uma auxiliar que lhe correspondesse criou a mulher, Eva” (Cf.
Gn 2,18-12.23).
Entre si, eles
reconheciam “a caridade paciente, caridosa, prestativa, sem inveja, sem
ostentação, sem inconveniência, sem irritação e sem interesses próprios, sem
irritação, sem guardar rancor” (Cf. 1Cor 13,4-5).
Os mais
próximos de ambos, pela geração, eram “os filhos, a herança e a recompensa do
Senhor” (Cf. Sl 127,3). Esses eram
orientados que “Quem caminha na integridade caminha seguro (Pr 10,9)
e para agarra-se na disciplina (Cf. Pr 4,13) dentro da boa doutrina
dada (Cf. Pr 4,2): o caminho reto de Deus. Porque corrigia os filhos,
eles lhe davam descanso” (Cf. Pr 29,17).
Aos irmãos
consanguíneos, os mais próximos da infância e da adolescência, não faltaram o
amor fraterno nem a “correção fraterna individual, com testemunhas e na Igreja,
sempre acompanhada do perdão quantas vezes precisassem” (Cf. Mt 18,15-22).
As pessoas
daquele mundo mísero, que ele escolhera para serem seus próximos, fizeram dele
o seu próximo. Eles não lhe negavam um sorriso largo e franco, às vezes com
lágrimas de alegria e/ou tristeza. E aqueles que tinham Deus no coração
encontravam dentro de si um ato de fé e o abençoavam e até faziam uso da
Imposição das mãos sobre ele. Todos eram próximos uns dos outros...
“O Reino de Deus está no meio de nós.” (Lc 17,21)
(Em
30/12/2021)
34 – Amigos Ricos e Opostos
Você já se perguntou por que você é amigo
de determinada pessoa?
Eles eram
amigos. Ambos ricos.
Um tentava
minorar as misérias dos desafortunados. Outro era como “os fariseus amigos do
dinheiro (Lc 16,14); ajuntava tesouros na
terra onde as traças e os carunchos os corroem e onde os ladrões arrombam e
roubam (Cf. Mt 6,19-20); pois, ninguém
pode servir a dois senhores; com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se
apegará ao primeiro e desprezará o segundo” (Lc
16,13). Assim, um servia a Deus e o outro ao dinheiro.
“A mão
preguiçosa empobrece, o braço diligente enriquece (Pr 10,4); e o
homem preguiçoso no seu trabalho é irmão do destruidor” (Pr 18,9).
Não se pode dizer que ambos eram preguiçosos e sendo diligentes até
enriqueceram, no entanto, um deles foi destruidor de si mesmo, pelo menos
quanto ao lado espiritual, pois era fraco nesse aspecto.
“Tesouros
injustos não trazem proveito.” (Pr 10,2). Esta frase não pertencia ao
fraco, em parte, pois ele era justo nos pagamentos dos empregados, e, diferente
de “Zaqueu” (Lc 19,1-10), ele não “tinha
desfraldado ninguém”, mas também o dinheiro não lhe trouxera proveito, mesmo “sendo
um operário digno de seu salário” (1Tm 5,18).
“Em toda
ocasião ama o amigo” (Pr 17,17). Assim eles se permitiam um almoço,
só entre eles, num determinado restaurante da cidade, celebrando aquele amor
fraterno mesmo com ações e pensamentos divergentes.
Havia perto do
restaurante um pobre e miserável homem. Um dos amigos “o vestia, dava de comer
e beber” (Cf. Mt 25, 35-36) e tinha sempre
uma palavra agradável para aquele desafortunado. O outro permanecia indiferente
à miséria alheia, àquele quadro semanal e até se afastava durante o colóquio onde
“o pobre e o rico se encontram e ambos, Deus fez” (Pr 22,2).
“Há amigos que
leva à ruína e há amigos mais queridos do que irmão.” (Pr 18,24) Eles
eram tão queridos entre si, sem levarem ao outro a ruína e assim e um deles
pensava: “De que serve ao insensato ter dinheiro?” (Pr 17,16) É
verdade que meu querido amigo não faz mal a ninguém. Mas também não faz o bem.
“O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, mas o homem mau, do seu mau
tira coisas más.” (Mt 12,35). Ele deixa de
tirar coisas boas do coração...
Decidiu tutelar o amigo espiritualmente e o
presenteou com uma Bíblia, ciente de que Ela é guia e
sempre traz respostas verdadeiras e reveladoras. “A riqueza aumenta o amigo,
mas o fraco, até o amigo deixa” (Pr 19,4). Assim contrariou esta
verdade. Sentindo-se “justo, mostrara o caminho ao companheiro” (Pr 12,26).
Em nome do
amor fraterno, o presenteado começou a ler a Bíblia aleatoriamente. A primeira
leitura mostrada foi “O Moço Rico: O moço questiona a Jesus o que pode fazer
para ter a vida eterna além de seguir os 10 Mandamentos; Deveria vender os bens
e dar aos pobres; O moço ouvindo isso saiu pesaroso, pois era possuidor de
muitos bens” (Cf. Mt 19, 16-22).
Por incrível
que pareça, as duas outras vezes, que usufruíra do presente, a Bíblia lhe
mostrara as mesmas parábolas, com títulos diferentes: “O Homem Rico” (Mc
10,17-22) e “O Rico Notável” (Lc 18,18-23)
e depois “O Perigo das Riquezas: onde Jesus afirma que é difícil um rico entrar
no Reino; é mais fácil o camelo entrar pelo buraco da agulha” (Lc 18,24-27).
Ele se
identificou com o sentimento do personagem. “o moço rico, sentindo-se
contristado, pesaroso, cheio de tristeza”, mas não se preocupou com a entrada
no Reino. Não julgava necessário “ajuntar tesouros no céu (Mt 6,20) onde é o trono de Deus” (Mt 5,34).
Em outra
feita, lhe veio aos olhos a leitura do “Tributo de César: os fariseus põem
Jesus à prova com relação ao Imposto; e Jesus disse que dessem a César o que
era de César e a Deus o que era de Deus” (Cf. Mt
22,15-22). Mais uma vez descuidou-se do ensinamento ou quem sabe de um
alerta. Pagava os Impostos em dia sem sonegá-los e isso lhe bastava, pois não enriquecera
“oprimindo um fraco (pobre): e no final ele saíra engrandecido; dá-se ao rico: e
no final só há empobrecimento.” (Pr 22,16).
Em um daqueles
encontros, do almoço fraternal, eles ficaram sabendo que aquele pobre coitado
indigente da rua havia morrido. O novo leitor da Bíblia, querendo mostrar que
estava desfrutando do mimo, disse ao amigo, conforme lera na Bíblia: “sempre
tereis pobres convosco, quando quiserdes, podeis fazer-lhes o bem” (Mc
14,7), logo haverá alguém ocupando este lugar. Ele falara, mas não agira
em favor do próximo de fato. Ele não havia entendido “que mesmo na abundância, a
vida de um homem não lhe é assegurada por seus bens” (Lc
12,15).
Naquela mesma semana,
o amigo vulnerável na fé ligara para seu amigo contando os planos de como iria
aumentar seu patrimônio e parecia esta Parábola (Lc
12, 16-21): “a terra de um rico produzia muito; Ele então refletia: Que
hei de fazer?” E continuou: “Não tenho onde guardar minha colheita; Depois
pensou: Eis o que farei: demolirei meus celeiros, construir maiores e lá
recolherei todo o meu trigo e todos os meus bens; e direi a minha alma: Minha
alma, tens uma quantidade de bens em reserva para muitos anos, repousa, come,
bebe, regala-te”.
Não se sabe se
ele chegou a ler essa passagem bíblica e se Deus lhe disse: “Insensato, nesta
mesma noite ser-te-á reclamada a alma; e as coisas que acumulaste, de quem
serão?” (Lc 12,20). Sabe-se que ele morreu
depois do telefonema “e que é assim que acontece àquele que ajunta tesouros
para si mesmo, e não é rico para Deus” (Lc 12,21).
Também não se
sabe se ele encontrou no céu com aquele pobre que vivia perto do restaurante e “se
algum deles foi levado pelos anjos ao seio de Abraão; se ele lembrou-se
que tivera tudo e o pobre coitado não tivera nada; se ele pediu ajuda; se ele
queria que o pobre avisasse aos seus familiares” conforme a Parábola “O Homem
Rico e Lázaro” (Lc 16,19-31).
Sabe-se que “arrepender-se
e converter-se a fim que sejam apagados os pecados” (Cf. At 3,19); por
“um só Deus e Pai de todos que está acima de todos, por meio de todos e em
todos” (Ef 4,6) e “não cabe a ninguém
conhecer o tempo e o momento de Suas obras” (At 1,7).
Entristecido,
o amigo “pensara: o justo e o ímpio, Deus julgará, porque aqui há um tempo para
todas as coisas e para toda ação (Ecl 3,17);
o justo conhece a causa do fraco e o ímpio não tem inteligência de reconhecê-la”
(Pr 29,7).
Depois, alegrara-se,
“pois Deus é bom com os ingratos e com os maus” (Lc
6,35) e por “saber que o seu amigo da terra que havia pecado tinha um
advogado, junto ao Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Justo” (Cf. 1Jo 2,1).
“Deus é luz e nele não há treva alguma” (1Jo 1,5)
(Em 5/01/2022)
35 – Ela nos Tempos de Pandemia
Como você se sente num isolamento social?
Ela pode ser
qualquer mulher destes tempos e a sua casa é seu refúgio.
São mais de
dois anos de pandemia. Embora, literalmente ela tenha “sua casa alicerçada na
rocha, onde a chuva e a enxurrada sopram ventos e não desmorona” (Cf. Mt 7,21-27), nesta casa cheia de conforto e paz, sua
alma está insegura, e ela espera “Que Deus, que ela ama, que é sua rocha, sua
fortaleza, seu abrigo, seu rochedo, seu escudo, sua força, seu libertador (Cf.
Sl 18,1-3), possa salvar-lhe da prisão
domiciliar imposta pela pandemia. “Deus está perto do coração contrito; Ele
salva os espíritos abatidos.” (Sl 34,18) Era
assim que ela se sentia.
Com isso,
“desaparecera sua alegria e seu contentamento como acontecera com as vinhas e
as terras de Moab” (Cf. Jr 48,33). Cansada
daquela desolação decretada diante de Deus ela suplica: “Levanta-te Senhor!
Salva-me, Deus meu” (Sl 3,8); “Senhor, escuta!
Senhor, perdoa! Senhor, fica atento e
entra em ação! Não demores mais, ó meu Deus, por ti mesmo, porque teu nome é
invocado sobre a tua cidade e o teu povo” (Dn
9,19), e sobre o mundo inteiro. “Quem põe esperança em Deus renova suas
forças.” (Is 40,31). Era o que
ela estava fazendo.
Ela precisava
“guardar seu coração acima de tudo porque dele provém a vida (Cf. Pr 4,23)
e aplainar o trilho sob seus passos (Pr 4,26) que a levava àquele isolamento
social e, por isso, atendia todos os pormenores da Vigilância Sanitária como
uso de máscaras, vacinação e outras medidas. Ciente de que “a fé é a garantia
dos bens que se esperam, a prova da realidade que não veem” (Hb 11,1).
Infelizmente,
a fé não lhe libertara daquela aflição, nem da saudade dos seus pela falta de
convivência. Ela sentia falta daqueles que partiram, e de certa forma,
acalentava um entendimento, mas a imposição da ausência estava lamentável. Ainda
assim “esperava que Deus afastasse do coração o desgosto e o sofrimento” (Cf.
Ecl 11,10).
Ao que parece
ela não “estava justificada pela fé ou não se via em paz em Deus por nosso
Senhor Jesus Cristo, sem que tivesse acesso a essa graça; Talvez ela não se
glorificasse na esperança da glória em Deus; E não é só; as pessoas se
glorificam também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a
perseverança, a perseverança a virtude comprovada, a virtude comprovada a
esperança; E a esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em
nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Cf
Rm 5,1-5); um Espírito sem
medidas” (Jo 3,34).
Ela sabia que “Deus
demonstrara seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós” (Rm 5,8). “Por ela ter nascido de Deus, não podia
cometer pecado” (Cf. 1Jo 3,9); e “todos que são conduzidos pelo
Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8,14).
“Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados
segundo seus desígnios.” (Rm 8,28). Ainda assim ela “tinha grande tristeza
incessante em seu coração, como o apóstolo Paulo” (Rm
9,2) talvez porque “vivesse segundo a carne (Cf. Rm
8,12) e a carne é fraca, como disse Jesus” (Mt
26,41), para que nós soubéssemos.
“Bem
aventurado é o homem que suporta com paciência a provação! Porque, uma vez
provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam.” (Tg 1,12). Aqueles dois anos e pouco têm sido
realmente difíceis e mesmo ela com sua imperfeição, e aparentemente descrente,
encontra força e “lança em Deus toda a sua preocupação porque é Ele que cuida (Cf.
1Pe 5,7), sabendo que a mesma espécie de sofrimento atingia os irmãos
espalhados pelo mundo” (1Pe 5,9). Se ela tinha visto tantas
angústias e males, “o Deus da esperança acumularia alegria e paz em sua fé” (Cf.
Rm 15,13).
Diante da
pandemia, tinha chance de “conhecer a generosidade de Jesus, que por nós se fez
pobre, embora fosse rico, para nos enriquecer com sua pobreza” (Cf. 2Cor
8,9).
Ela estava em casa, sem privações físicas, na
companhia do amor de todos, embora que a distância, recebendo da “plenitude de
Deus, graça por graça... (Cf. Jo 1,16).
Deveria assumir a sua parte como um bom soldado de Cristo Jesus” (Cf. 2Tm
2,3), pois “tudo ela pode naquele que lhe fortalece” (Fl 4,13). Pensando bem, igualmente Jeremias ela
disse: “É só isto meu sofrimento? Eu suporto!” (Cf. Jr 10,19).
“O amor de Deus é para sempre.” (Cf. Sl 136,1)
(Em 7/01/2022)
36 – O Limite
Qual é o seu limite para as coisas de Deus?
O seu nome é
Limite. Ele acha que tem um quê da Sabedoria. Ele sabe que quando está nas mãos
de Deus, de Jesus e do Espírito Santo, ele caminha na perfeição. O Limite em
toda a história delimitou extensão de terras, territórios, cidade... e o
comportamento humano...
“O homem não
conhece o desígnio de Deus nem concebe o que deseja o Senhor; os pensamentos
dos mortais são tímidos e falíveis os seus raciocínios; e um corpo corruptível
torna pesada a alma e esta tenda de argila faz o espírito pesar com muitas
preocupações; a custo conjetura o terrestre e com trabalho encontra o que está
à mão; mas quem rastreará o que há nos céus?” (Cf. Sb 9,13-16).
Talvez por isso, o homem deixe o Limite escapar...
“A sabedoria
possui o conselho e a prudência e é dela a inteligência e a fortaleza” (Cf.
Pr 8,14); ela caminha na senda da justiça e anda pelas veredas do direito
para levar o bem aos que a amam” (Cf. Pr 8,20-21), mas o homem não é
detentor da Sabedoria e por isso o Limite foi apresentado ao homem. E quando o
homem não usufrui desta apresentação, conhece a transgressão.
O rei “Salomão
recebeu de Deus, como um dos limites, talvez, a
Sabedoria e inteligência para conduzir o povo” (Cf. 2Cr 1,10). Foi
um privilégio.
Ele, o Limite,
estava pensando a seu próprio respeito, e fez uma retrospectiva de algumas vezes
que ele fora ultrapassado pelas ações humanas como nesta passagem: O Limite
dado ao homem na criação foi bem grande. “Deus fez o homem à Sua semelhança e
que ele dominasse sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais
domésticos, de todas as feras e todos os répteis que rastejam; o homem não
ficaria sozinho; e não poderia se alimentar da árvore que estava no meio do
jardim” (Cf. Gn 1, 2- 3). Vencido pela
tentação, o Limite foi abandonado por aquelas mãos.
A sua
representação tinha sido muito versátil: “No Dilúvio ele era o número de
animais determinados por Deus, a serem levados na Arca de Noé (Gn 7,1-16); para Abraão fora pegar a parentela e ir
para as terras que Deus lhe mostraria” (Gn 7,1-3)
e o Limite do profeta “Moisés seria libertar Israel do Egito” (Ê.x 3,7-12) culminando nas palavras de Deus: “Eu
mostrarei aos teus olhos toda a terra que prometi a Abraão, Isaac e Jacó, mas
tu não atravessarás para lá” (Dt 34,4). Muitas
vezes há limites dentro dos limites...
Numa versatilidade,
o Limite tinha sido aplicado para o mal, pelo menos aos olhos dos humanos:
“Caim matou Abel e carregou uma culpa pesada, mesmo assim, recebeu um sinal de
Deus para nunca ser vingado de morte (Gn 4,1-16);
Judite golpeou Holofernes e segundo os anciões ela
tinha prestado um benefício a Israel” (Cf. Jt
13,1-20).
Ele, o Limite,
se sente gratificado, pois no meio de tantas mortes, além dessas narradas, ele
foi o amor fraterno. “Jônatas começou a amar a Davi como a si mesmo” (1Sm
18,1) e Jônatas fez Davi prestar juramento pela amizade que tinha por ele,
“pois ele o amava com toda sua alma” de prestar fidelidade a sua casa pois, Iahweh ia pedir contas a Davi” (Cf. 1Sm 20,14-17),
consequentemente outro limite.
Ele, o Limite,
se via relativo diante de Jesus, mas sem jamais se sentir afastado d’Ele. “A transgressão
de Jesus surgia nos olhos dos fariseus, escribas” (Cf. Mt
12,2.10.24) e outros quando “Jesus curava e tirava demônios nos sábados,
como ocorrera tantas vezes” (Mt 12,22). Ensinava a fazer o bem e realizar as obras de
Deus em pleno sábado (Mt 12,22). Era
lícito inclusive “comer como fizera Davi e seus companheiros se alimentado de
pães do sacerdote e também seus discípulos ao comerem espigas de milho” (Cf.
Mt 12,1-8) pela fome que os dominava.
A mansidão de
Jesus pareceu ter o seu Limite ultrapassado “com o zelo d’Ele pela casa de
Deus, lhe devorando conforme a profecia e por isso, tendo um chicote de cordas,
expulsara todos do Templo, com ovelhas e bois; lançou ao chão o dinheiro dos
cambistas e derrubou mesas e disse aos que vendiam pombas: Tirai tudo isto
daqui, e não façais da Casa do meu Pai uma casa de comércio. Ela é uma casa de
oração” (Cf. Jo 2,13-22).
Ele, o Limite,
não conseguia limitar as pessoas, conforme sua criação e função, de tantas
transgressões realizadas pelo homem. Ele sentira-se recriado por João Batista
quando esse dissera: “produzi frutos dignos de arrependimento” (Mt 3,8; Cf. Lc 3,8) e
ensinara como fazer: “quem tiver duas túnicas, reparta-as com quem não tem, e
quem tiver o que comer faça o mesmo; não deveis exigir nada do que foi
prescrito” (Lc 3,11-13).
Se o Limite fosse
humano, seria acusado de “ter vaidade humana”. Ele realmente tinha muito orgulho
de fazer parte de alguns limites dados por Jesus: “Amarás o teu próximo como a
ti mesmo” (Mc 12,31); “ter fé” (Cf. Mt
17,20); e “de praticar as ações da Bíblia, guardar os mandamentos.” (Cf Mt 19,17).
Ele testemunhara
o amor em Jônatas (1Sm 20,14), a fé e a obediência de Abraão (Hb 11,8), o exemplo de Jesus muitas coisas mais. No fundo,
ele ser Limite ao homem, fazia dele uma coisa mínima, diante de Deus, pois “o coração
do homem planeja o seu caminho, mas é Iahweh que
firma seus passos” (Pr 16,9); o homem peca e a misericórdia de Deus
atua. O Limite de um cego não enxergar pode ser uma glorificação de Deus.
O Limite de
Jesus também foi “ter maior amor e dar a vida por seus amigos (Cf. Jo 15,13) na Cruz (Jo
19,18) para salvar a todos do pecado” (Cf. Mt
1,21) e enquanto não chegara ao seu maior limite, “curava (Cf. Mt 4,23-25), apresentava o Reino de Deus (Cf. Mt 6,33), Sua paternidade, um está no outro (Cf. Jo
14,10), por todos e para todos, pois “somos filhos de Deus com o Espírito
Santo que se une a nós, para testemunhar.” (Cf.
Rm 8,16). Jesus confirmou ao mundo “a
Ressurreição (Cf. Mc 16,9) quando Deus O ressuscitou” (Cf. At
2,24) e a convivência diária com o Espírito Santo que “desceu e
permaneceu, segundo o relato de João Batista, que guiará todos na verdade
plena” (Cf. Jo 16,13).
E o Limite ousa
apresentar outros Limites: “se ama a Deus, ame
também seu irmão” (1Jo 4,21); sem esmorecer, afirmando a esperança,
porque é fiel quem fez a promessa (Hb 10,23);
sendo forte na fé (Tg 2,2); tendo uma
relação de irmãos em Cristo; tendo uma vida comunitária na caridade (At
4,32), assistindo aos necessitados (At 4,32) e pedindo
sabedoria e inteligência como o rei Salomão pediu” (Cf. 2Cr 1,10).
O termo Limite em si, está na Bíblia, mais
voltado para o lado geográfico: Deus colocara a areia como o limite ao mar (Jr
15,22); Israel receberia as suas fronteiras (Nm
34,1), parte do deserto fazendo limite com Edom,
fronteira marítima, o grande mar, até a montanha (Nm
34,1-8) e tantos outros. Estes eram os limites físicos de Deus, mas havia
os limites físicos dos homens: “não desloques os marcos antigos que os teus
pais colocaram (Pr 22,28). Será maldito aquele que deslocar a
fronteira do vizinho (Dt 27,17).
E ele, o
limite, está implícito quando Isaías falou em “Paz sem fim” (Is 9,5);
“nada pode deter a Deus” (Is 14,5). E por causa de Deus, ele se
torna infinito.
E numa visão
simplória, ele faz parte do tesouro humano e “onde está teu tesouro, estará
também o teu coração” e se o homem “fixar um limite intransponível, que desvie
seu olhar dele e deixa-o” (Jó 14,5), pois o impossível pertence a
Deus.
“É de perseverança que temos necessidade,
para cumprir a
vontade de Deus.” (Hb 10,36)
(Em
11/01/2022)
37 – Ela, uma Ovelha Perdida
Você já se sentiu perdido?
Ela era apenas
uma mulher perdida aguardando se achar...
“Deus escolheu
seu servo Davi (rei) e tirou-o do aprisco das ovelhas; tirou-o da companhia das
ovelhas e fê-lo ir para apascentar Jacó, seu povo, e Israel, sua herança; ele
apascentou com o coração íntegro e conduzi-o com mão sábia.” (Sl 78, 70-72)
Com ela foi
bem diferente. Ela se desviou do redil e tornou-se uma ovelha perdida.
“Segundo o
profeta Ezequiel Deus dissera: Minhas ovelhas são o rebanho humano do meu pasto
e eu sou o seu Deus; Ele condena os pastores que apascentam a si mesmo e os que
dispersam as ovelhas do Seu rebanho... e não cuidam delas; Ele mesmo reunirá o
resto de suas ovelhas de todas as trevas e as fará retornar às suas pastagens.”
(Ez 34,1-2). E depois de tanta perdição ela
espera por este dia...
Ela, aquela
mulher, tivera um bom pastor “Como Jesus se descrevera: Ele era aquele que dava
a vida pelas suas ovelhas, como de fato deu; não era um mercenário que as
ovelhas não lhe pertenciam e ao ver o lobo aproximar-se abandonava as ovelhas e
fugia e não se importava com as ovelhas” (Cf. Jo
10, 1-13). Ele se “importava com ele a conhecia” (Cf. Jo 10,14), mas ela não se importava com ele. “As
ovelhas de Jesus escutavam sua voz e O seguiam” (Cf. Jo
10,4). Ela não escutava ninguém.
O seu pastor
está representado por muitas pessoas que ela ignorou: os pais, parentes,
amigos, o Padre, professores e outros mais. Todos eles estavam cientes do que
Deus disse: “Ai dos pastores que perdem e dispersam as ovelhas do meu rebanho” (Jr
23,1).
Ovelha perdida
era o povo de Deus. Seus pastores as fizeram errar, as montanhas as
desorientaram, elas foram de montanha em colinas esquecendo o seu redil (Jr
50,6). Israel era ovelha desgarrada, que os leões afugentaram. (Jr
50,17). Ela fazia parte deste povo. Era como Israel. Mas, ela
esqueceu seu redil porque seus leões eram suas escolhas... Bem que seus
pastores a orientaram para ela não errar. “Ouvem-se os gemidos dos pastores.” (Cf.
Zc 11,3). Com certeza muitos
clamaram a Deus por ela.
“Os lobos
vorazes não pouparam o rebanho.” (At 20,29). Ela se unira aos lobos
ferozes representados pela devassidão e ora “era a ovelha perdida” (Lc 15,3) que estava nas trevas, ora era o “mercenário
que não se importava com as ovelhas” (Jo 10,13),
ora “era o lobo que arrebatava as ovelhas” (Jo
10,12), pois se tornara má e maldosa pelas suas infelizes escolhas.
Talvez até fosse “o leão ou o urso que arrebata uma ovelha do rebanho” (1Sm
17,34).
“Jesus enviara
seus discípulos como ovelhas no meio de lobos e deveriam ser prudentes como as
serpentes e simples como as pombas para cumprirem suas missões” (Cf. Mt 10,16). Se Deus a enviara no meio de lobos, ela
preferira se tornar um deles e com certeza se desviara de sua missão, que de um
modo geral deveria ser fazer boas obras... Usara a prudência e a simplicidade
para o mal.
“Davi assumiu
sua culpa e disse ao anjo: fui eu quem pecou, fui quem cometeu o mal, mas
aqueles e o rebanho que mal fizeram?” (Cf. 1Cr 21,17). Um dia, neste
ponto ela se assemelhou ao Rei. Ela percebeu que “caminhara na estrada larga e
espaçosa, e a porta do Reino era num caminho estreito” (Cf. Mt 7,13-14). Estava
longe de ser um servo de Deus.
“O servo do
Senhor não deve brigar, deve ser manso para com todos e competente no
ensinamento, paciente na tribulação (2Tm 2,24); andar com humildade
e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros com amor, procurando a
unidade do Espírito pelo vinco da paz (Ef 3,2-3);
orar e pedir para ser levado ao pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda
sabedoria e discernimento espiritual” (Cl 1,9). Ela estava distante
de tudo isso...
Sucedeu, então,
o que acontece com a gazela perseguida, com ovelha que ninguém reúne: cada um
voltará para seu povo, fugirá para sua terra. (Is 13,14). O castigo
que havia de trazer-lhe a paz, caiu sobre ela, sim por suas feridas fora
curada. Todos nós, como ovelhas que andam errantes, seguindo qual seu próprio
caminho, Deus fez cair sobre Jesus a iniquidades de todos nós. (Is 53,6)
E os olhos dela se abriram para essa verdade.
Como Jesus,
pela vida “foi maltratada, mas livremente humilhou-se e não abriu a boca, como
cordeiro conduzido ao matadouro, como ovelha que permanece muda na presença dos
tosquiadores, ela não abrira a boca”... (Is 53,7) Só sua alma falara para Deus.
Como os
rebanhos de ovelhas padecem sem pasto (Cf. Jl 1,18), assim padecia
seu espírito!
“Ela
confessara seus pecados, pois sabe que Deus é fiel e justo perdoará os seus
pecados e a purificará de toda injustiça” (1Jo 1,9) causada por ela
mesma. Mas, sabe também que “não deve se segurar no perdão para acumular pecado
sobre pecado” (Eclo 5,5).
Na parábola
dos “Dois Pastores (Cf. Zc 11,4), contada
pelo profeta Zacarias, há ovelhas preparadas para o matadouro. Mas parece que
Deus perdeu a paciência e os pastores se aborreceram com Ele, de modo que quem
tivesse que morrer morreria”, como se todos estivessem abandonados, embora
“fossem amaldiçoados os maus pastores”.
Como esta
ovelha perdida fora abençoada! Seus pastores sempre estiveram com ela
aconselhando ou orando. E, quando se confessou a Deus, enxergou Sua presença
reconhecendo seu próprio afastamento.
Agora, ela
aguarda o dia que possa dizer: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, em
verdes pastagens me faz repousar (Sl 23,1-2);
Deus como pastor apascenta seu rebanho, com o braço reúne os cordeiros,
carrega-os no regaço e conduz carinhosamente as ovelhas” (Is 40,11).
“O lobo morará com o cordeiro...
O bezerro, o leãozinho e o gordo novilho andarão
juntos” (Is 11,6)
(Em
20/01/2022)
38 – Consequências da Meditação
Você costuma meditar?
Ele, agora
sendo velho, claro que foi criança e jovem. Ele tivera uma boa vida financeira
e divertida “pelos caminhos largos da vida e espaçosos que conduzem à perdição”
(Cf. Mt 7,13-14).
“Maria
meditara na sua vida como: o significado da saudação que recebera do Anjo –
Alegra-te cheia de graça (Lc 1,28); conservara
cuidadosamente todos os esses acontecimentos (do nascimento de Jesus) e os
meditava em seu coração (Lc 2,19); e
quando encontrou Jesus sobre os doutores, ela conservava todos os fatos em seu
coração” (Cf. Lc 2,51).
Assim como
Maria, ele meditava a respeito de sua vida. “O dia tenebroso o aterroriza, a
tribulação e angústia o acometem como em Jó.” (Jó 15,23). Ele não
sabe se está passando por “uma correção sobre o seu leito de dor” (Cf. Jó 33,19)
ou uma “provação para comprovar a fé” (Cf. Tg
1,2) que só tem agora, pois antes, se tornara “escravo dos seus pecados” (Cf.
Jo 8,34).
Quando
“criança estava sentando na praça desafiando mutuamente as outras” (Mt 11,16) se afastando dos seus sonhos que costumava
ter: sempre via “Jesus em torno das crianças dizendo que, para entrarem no
Reino precisava se tornar pequeninos como as crianças (Mt
18,3, impondo as mãos sobre elas, abençoando (Mc 10,16) e
orando”.
Quando jovem, no
começo, “escutava a disciplina do pai, não desprezava as instruções da mãe” (Cf.
Pr 1,8-9), tanto que progredira e trabalhava para seu sustento, mas
“perdeu de vista a sensatez (Pr 3,21) e tropeçara em seus passos” (Cf.
Pr 3,23).
Ainda “jovem
se cingia, andava por onde queria; velho estendera as mãos e outro o cingia, conduzindo-o
aonde não queria” (Cf. Jo 21,18). Ia à
Igreja, pois não podia ficar sozinho em casa... Foi quando começou a andar pelo
“caminho estreito” (Cf. Mt 7,13). Lá se
reuniam as pessoas que comungavam o mesmo pensamento: Deus, Jesus, Espírito
Santo, Vida Eterna, Eucaristia... E ele começara a aderir. Era o resquício de
luz que o envolvia naquela caminhada. Começara a reconhecer sua vida estável
financeiramente desperdiçada na devassidão, longe do Espírito.
E velho, preso
a uma cama, sabe que se encontra “à Porta das Ovelhas” (Jo 10,7), que é Jesus, ou seja, pelo
estado de saúde, seu corpo estava mais próximo da morte, e seu espírito mais
perto de Deus. Fisicamente, ele nem conduz nem é conduzido. Agora entende que
“o caminho dos ímpios é tenebroso, e não sabem onde tropeçam (Pr 4,19);
Deus brilha na treva como luz para os retos, ele é piedade, compaixão e
justiça” (Sl 112,4). Ele se distanciara de
tudo isso.
“As tentações
que o acometeram tiveram medida humana; Deus tinha sido fiel, e não permitira
que as tentações fossem acima de sua força; Deus lhe dera meios de sair delas e
força para suportá-las.” (Cf. 1Cor 10,13).
Quando “Deus
dissera que o pastor cuida das suas ovelhas dispersas, assim como eu cuidarei
das minhas ovelhas e as recolherei de todos os lugares, por onde dispersaram em
dia de nuvem e escuridão” (Ez 34,12), estaria
ele neste redil? Mas, “Jesus tinha ainda
ovelhas que não eram daquele redil que deveriam ser conduzidas” por ele. (Cf.Jo 10,16).
Após a noite
insone pensava: “a noite avança e o dia se aproxima; eu vou deixar as obras das
trevas e vestir da armadura de luz (Cf. Rm 13,12);
não posso acrescentar um só côvado à duração da minha vida, mas posso buscar em
primeiro lugar Seu Reino, sua justiça, e esperar que todas as coisas me sejam
acrescentadas (Cf. Mt 7,27-33); Talvez
Deus abra meus olhos e os converta das trevas à luz (At 26,18)...
Talvez me arranque do poder das trevas e me transporte para o Reino do seu
Filho amado...” (Cl 1,13). Ainda tenho o que fazer... A porta das
Ovelhas está aberta e sei que estou próxima dela, pois estou quase partindo, mas
eu ainda não a ultrapassei! Eu ainda posso “procurar agradar ao próximo, em
vista do bem, para edificar, pois Cristo não procurou buscar sua própria
satisfação” (Rm 15,2). Ele deveria
entregar-se à Providência Divina e fazer as Suas obras.
Partiu da
meditação à ação: “fez o bem, sabendo a quem o fazia” (Ecl
12,1), segundo seus recursos (Ecl 14,13) e
sua dificuldade física.
Destinara sua
meditação para a recomendação de Josué: “Que o livro desta Lei esteja sempre nos
teus lábios: medita nele dia e
noite, para que tenhas o cuidado de agir de acordo com tudo que está escrito nele.
Assim serás bem sucedido nas tuas realizações e alcançarás êxito.” (Js 1,8) Esperava também agradar a Deus com as
palavras da sua boca e o meditar do
seu coração, sem trevas... (Cf. Sl 19,15)
Seus olhos antecipavam as vigílias para meditar
conforme suas normas (Cf. Sl 119,148-149)
meditando toda a obra de Deus e meditando suas façanhas (Cf. Sl 77,13). Já não tinha tempo nem condições de meditar o amor de Deus no meio do
Templo” (Cf. Sl 48,10), mas isso não o
impedia daquela aproximação Divina.
“Quem crê em Jesus não permanece nas trevas” (Jo 12,46)
(Em
28/01/2022)
39 – Sentindo-se sozinha
O que você faz quando se sente sozinho?
Ela é uma
mulher qualquer, uma pessoa sozinha que passa por igual situação real a esta
que você pode estar vivendo também.
“O homem não
conhece os desígnios de Deus nem pode conceber o que deseja o Senhor (Sb
10,13); Diante de Deus caminha a peste e a febre segue os seus passos” (Hab 3,5). Na casa dela, graças a Deus só chegou a Covid sem febre, sem sintomas que lhe trouxessem maiores
danos.
Uma situação
desconfortante semelhante ao que a Covid-19 tem sido capaz de causar, se repete
em ciclos ocorrido há tempos, e talvez seja a mesma comentada pelo profeta Jeremias
(Jr 24,9-10) entre outros como a peste e a fome. Fora da Bíblia houve
a Gripe Espanhola e outras mais. Parece um projeto contra a terra inteira.
Parece que “Deus tomou uma decisão, quem a anulará? Sua mão está estendida,
quem a fará recuar?” (Is 14,27). Só Ele
pode recuar e da mesma forma que entrou nesse processo contra o mundo, pode
entrar a seu favor.
“As virgens e
os jovens partiram para o cativeiro.” (Lm 1,18).
Ela se sente assim, na solidão do seu quarto. “Aos olhos humanos parece
cumprir uma pena, mas a sua esperança está cheia de imortalidade” (Sb 3,4).
“A sabedoria
protegeu o primeiro modelado, pai do mundo que foi criado em solidão (Sb
10,1); Adão, sozinho no mundo, como era Deus no céu” (Rodapé Pág.
1120). A humilde sabedoria dela não lhe impediu que o sentimento de
tristeza, impotência e cansaço se instalassem no seu coração diante deste
quadro solitário, como ambos.
Leitora da
Bíblia, ela sabe que “o coração abatido perde o vigor (Eclo
38,19); não pode abandoná-lo à tristeza, precisa afastá-la” (Eclo 38,20) porque presencialmente, “não tem quem lhe
console” (Lm 1,2) nem quem lhe reanime; “não
pode se deixar desanimar pela tristeza nem se afligir com os pensamentos porque
a alegria do coração é a vida do homem; a alegria aumenta os seus dias” (Eclo 30, 21-22).
De certo, como
“Elias e Jesus”, ela vem “recebendo consolo do Anjo” (1Rs 19,5; Lc 22,43), embora não o veja “porque os favores de
Deus não terminaram; suas compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as
manhãs; grande é sua fidelidade” (Lm 2,22)
e ela não quer obscurecer os Seus desígnios.
Ela se sente
impotente, pois sua vida já estava limitada ao apartamento. Agora, estava presa
no quarto, mas sabe que “as mãos de Deus são poderosas e espera sua intervenção”
(Cf. Ex 6,1).
Há um duplo
cansaço: consequência da doença e do jeito que está levando a vida.
“Jesus disse:
vinde a mim todos os que estais cansados, sob o peso do vosso fardo e vos darei
descanso” (Mt 11,28). E ela tem recorrido
a Ele em orações sem disposição para os Estudos Bíblicos.
“Os discípulos
se recordavam do que estava escrito: o zelo por tua casa me devorará” (Jo 2,17). O zelo pela sua casa, pelo seu lar também
estava lhe devorando. Ela voltara ao passado, na prática ensinada em Levítico,
por motivos diferentes: “lavar as mãos (Ex 30,17),
cobrir o bigode (Lv 13,45), pulverizar (Ex 30,36) e se isolar” (Lv
13,4). Ela quer manter sua casa purificada; longe de contaminações, caso
venha tossir ou espirrar.
“Os alimentos
são para o ventre e o ventre para eles (1Cor
6,13); e ao se reunir para cear, esperai os outros” (1Cor 11,34).
Nem a companhia da serva para sentarem juntas e cearem os alimentos, ela pode
ter. Ela pode perfeitamente responder “a pergunta de
Jesus” (Lc 17,7) de forma positiva: Eu
digo a minha serva: “Vem para a mesa” (Lc 17,7)
para comermos juntas.
Como os
“discípulos de Jesus foram chamados de amigos” (Jo
15,15), ela chama sua serva de amiga. “Essa faz o que deveria fazer” (Lc 17,10) como está na Bíblia e vai além, muito
além...
Assim, ambas
estão convivendo, juntas, porém separadas, cumprindo exigências estabelecidas
entre elas para se servirem e se protegerem. Até quando?
“Há um momento
para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecl 3,1). Ambas esperam no Deus bom e verdadeiro que
governa o universo com misericórdia para verem o mundo inteiro iluminado por
uma luz radiante”; longe do mal que atingiram a
si mesmas, as suas famílias, amigos, parentes, enfim o mundo.
“A Graça de Deus nos ensina a abandonar as
coisas mundanas
e viver neste mundo com auto domínio” (Cf. Tt 2,11-12)
(Em 14/02/2022)
40 – Uma viagem
repleta de pecados
Por que nossas ações refletem quem somos e até nossos
pecados?
Eles se
mostravam um casal ainda jovem, tiveram um casal de filhos muito cedo e viviam
bem financeiramente.
“Todo homem a
quem Deus concede riquezas e recursos que o tornam capaz de sustentar-se, de
receber a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isto é um dom de Deus” (Ecl 5,19). Mas, aquele casal acreditava que tudo que
haviam conseguido estava na força que eles haviam empreendido para vencer. Com
este pensamento, constituíram sua família. Os filhos cresceram e
financeiramente e estavam morando na Europa. Certa ocasião os pais foram
visitá-los.
Os pais receberam
esta bênção de poder conviver um pouco com filhos, mas não pensaram assim. Não viram esta oportunidade como uma graça.
A soberba – a vaidade – no imo de ambos inflava diante dos amigos, vizinhos e companheiros
de trabalho, esnobando a futura viagem, pois o poder de ambos estava indiferente àquela graça, ignorando porque não conheciam as
palavras de Deus que “tudo que há no mundo –
a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da riqueza – não
vem do Pai, mas do mundo. Ora o mundo passa com sua concupiscência, mas o que
faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2,16-17). Eles
apreciavam as coisas mundanas.
“A arrogância
precede a ruína e o espírito altivo, a queda.” (Pr 16,18). Assim, o
casal acrescia à soberba a inveja
que tinham de todos e até mesmo dos filhos trazendo a si mesmos uma queda
espiritual. Quando se tem “inveja amarga e preocupações egoísticas nos corações
não deve se orgulhar e nem mentir contra a verdade porque esta sabedoria não
vem do alto; é terrena, animal e demoníaca, trazendo-lhes as desordens e toda
sorte de más ações” (Cf. Tg 3,14-16). E
Foi isso que eles levaram para os seus filhos.
“O
povo sentou-se para comer e beber, depois se levantou para se divertir.” (Êx 32,6). Assim eles faziam, porém com excesso: Se
permitiram a gula comendo tudo que
os filhos compraram para recebê-los se distanciando mais e mais do provérbio:
“Não esteja entre os bebedores de vinhos e comedores de carne, pois bebedor e
glutão empobrecem” (Pr 23, 20-21). Igualmente faziam nos
restaurantes sem nenhuma contribuição que pudesse evitar de onerar os filhos,
distante desta citação.
Também
“empobrece a mão preguiçosa.” (Cf. Pr 10,4). Assim curtiam a viagem
sem mover uma palha na organização da casa, sem cumprirem “com o suor do rosto
comerão do próprio pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado. Pois
tu és pó e ao pó tornaras.” (Gn 3,19). Era
a preguiça que imperava.
No
divertimento não “fugiram das paixões da mocidade” (2Tm 2,22), como
deveria ser, quando estiveram na presença dos amigos dos filhos. Apreciaram a luxúria e a libertinagem com os olhares
maldosos, sedutores e recíprocos sendo que “Jesus dissera: basta um olhar
libidinoso que já se cometeu adultério” (Mt 5,28).
“Quem
é ávido de rapinas perturba sua casa, quem odeia suborno viverá.” (Pr
15,27). O casal se deu à avareza,
buscando, indiretamente, reaver o que gastaram na educação dos filhos e desta
forma ignoraram todos os gastos feitos pelos filhos, e que ainda fariam como o
acréscimo nas contas de luz, água e gás, durante aquela estadia.
Nesta
avareza, perturbavam a casa dos filhos culminando com a “ira, não abandonando o furor, se irritando, fazendo o mal” (Cf.
Sl 37,8) quando lhes faltava alguma coisa dos
seus desejos... Embora eles não tivessem passando necessidades naquela casa
acolhedora, onde os filhos “buscaram proporcionar a hospitalidade” (Cf. Rm 12,13).
Ao
que parece, os filhos estão em consonância com a Epístola aos Efésios e os
pais, em parte, no sentido contrário: “Filhos, obedeceis aos vossos pais, no
Senhor, pois isto é justo. Honra teu pai e tua mãe. É o primeiro mandamento com
promessa – para seres felizes e teres vida longa; e vós pais não deis a vossos
filhos motivos de revolta contra vós, mas educai com correções e advertências
que inspiram no Senhor.” (Cf. Ef 6,1-4).
Com certeza, na
vida há estes paradoxos “debaixo do sol: no lugar do direito, encontra-se o
delito; no lugar da justiça, lá se encontra o crime... e Deus julgará o justo e
o ímpio” (Ecl 3,16).
“Os filhos eram sábios e alegravam os pais (Cf.
Pr 23,24); A vara e a repreensão dão sabedoria, pois quem poupa a vara
odeia o seu filho, aquele que o ama aplica a disciplina” (Pr 29,15).
Isto não tinha a menor importância na educação que davam. Apesar de terem
vivenciado isso, aprenderam muito cedo “o que Jesus falara dos escribas e dos fariseus
cabia exatamente a seus pais: portanto, fazei e observai tudo quanto vos
disserem, mas não imiteis suas ações, pois dizem, mas não fazem” (Cf. Mt 23,1-3).
Os filhos não
queriam ser como “o rei Ocozias, filho de Acab, que fez mal aos olhos de Iahweh
e imitou o comportamento de seu pai e de sua mãe” (Cf. 1Rs 22,52-53).
“Os pais, com
efeito, não faziam o bem que queriam, mas praticavam o mal que não queriam; se
faziam o que não queria, não eram eles que agiam, e sim o pecado que habitava
neles” (Cf. Rm 7,19-20). Numa mera viagem
aqueles pais praticaram os 7 Pecados
Capitais e tantos outros atraídos e subsequentes.
Os filhos
amavam e honravam os genitores. Sabiam que “Deus proveria magnificamente todas
as necessidades segundo a riqueza em Cristo Jesus” (Cf. Fl 4,19) e que “a Palavra de Deus é reta e sua obra
toda verdade (Sl 33,4). Do céu Iahweh contempla e vê todos os filhos de Adão; do lugar da
sua morada ele observa os habitantes todos da terra” (Cf. Sl 33,13-14), afinal, lá é o seu trono (Cf Mt 5,34). Isso os
preocupava pelos pais, mas estavam cientes de que são “felizes aqueles cuja
ofensa é absolvida e o pecado é coberto.” (Sl
32,1), porque “não há autoridade que não venha de Deus” (Cf. Rm 13,2). Quem
sabe não seria assim?
“Pratica
o bem e da Autoridade receberás elogio” (Rm 13,3)
(Em 31/03/2022)